Guarda municipal atropela três pessoas e um bebê morre na barriga da mãe

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O agente da Guarda Municipal, Carlos André de Santana, foi preso na noite do último domingo após perder o controle do veículo e atropelar três pessoas. Entre as vítimas estava uma adolescente de 14 anos de idade, gestante de nove meses. Sem suportar o impacto, a adolescente perdeu o filho que estava previsto para nascer esta semana. Durante abordagem feita pela Polícia Militar, o agente, que estava armado, apresentou sinais de embriaguez e foi submetido ao teste do bafômetro. Ao constatar as suspeitas dos militares, 0,44 mg/l de álcool no sangue, acima do limite tolerado pela Lei Seca, Carlos André foi encaminhado para a Delegacia Plantonista onde foi ouvido e pagou uma fiança equivalente a 20 salários mínimos, correspondente a mais de R$ 15 mil.

O fato ainda era lamentado no bairro Soledade, zona Norte de Aracaju, local do acidente, quando chegou a informação da liberação do motorista. Indignada com a continuidade do inquérito, parte dos moradores realizou uma manifestação na qual pedia maior punição para o agente da GMA. Ao ser informado da ocorrência, o coronel Enilson Aragão, comandante da Guarda Municipal, determinou que todas as punições previstas por lei fossem devidamente aplicadas. De acordo com o oficial, independente de o motorista compor a corporação municipal, era preciso que as normas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e da Constituição Federal fossem respeitadas para que este caso sirva de exemplo.

"Nós tomamos conhecimento ainda no domingo à noite e de imediato exigimos o cumprimento legal de todos os procedimentos. Pedimos que ele fosse conduzido para a Delegacia Plantonista para que lá ele fosse tratado da maneira adequada, de acordo com o delito cometido. Obviamente todos os procedimentos legais serão adotados", declarou o comandante. Apesar das declarações de Enilson, os amigos e familiares das vítimas exigem que o Tribunal de Justiça possa intervir contra o motorista que, além de contribuir com a morte da criança ainda no ventre da mãe, deixou outra adolescente ferida nos braços e atingiu uma criança de quatro anos. O agente tentou fugir, mas foi impedido pela população.

Entre as pessoas envolvidas na abordagem estava Anderson Filho que disse não ter conhecimento da profissão do motorista. De acordo com a testemunha, que mora nas intermediações do acidente, apenas ao alcançar o condutor embriagado foi identificado que ele estava armado. "Ele estava sim armado, mas em momento algum puxou a arma para tentar se defender ou fugir do local. O bom foi que a polícia chegou logo e consegui ajudar a segurar ele. Se não fosse isso talvez ele fizesse outra besteira porque estava bem bêbado. Fizemos a nossa parte, agora a gente torce para que a justiça também faça a parte dela porque não dá para aceitar ver um cidadão desse solto nas ruas depois de matar um bebê que sequer tinha deixado o ventre da mãe. A população pede justiça", afirmou.

Carlos André de Santana após prestar depoimento deixou a Delegacia Plantonista sem prestar declarações à imprensa. No dia de ontem, como já era de se esperar, ele também não veio a público para se explicar sobre o acidente. Com o auxílio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), as vítimas foram encaminhadas às pressas para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Todos já receberam alta médica.

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