Milton Alves Júnior
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O Dia Nacional Contra o Aumento da Tarifa do Transporte Público foi marcado por atos públicos organizados por passageiros que não admitem pagar mais caro pelo precário sistema instalado na maioria dos estados brasileiros. Em Aracaju, os movimentos ‘Não Pago’ e ‘Levante Popular’, coordenaram uma marcha que teve início no terminal de integração da zona Oeste (Rodoviária Nova), e seguiu pela Avenida Tancredo Neves em direção ao Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju. Impedidos pela Guarda Municipal de Aracaju de ter acesso a rua principal do complexo, os manifestantes protestaram contra o desrespeito ao direito constitucional de ir, e vim, e criticaram o prefeito João
Alves Filho pela falta de diálogo com os usuários do transporte público.
Equipados com cacetetes, armas de choque e de bala de borracha, cerca de 40 agentes da GMA cercaram o grupo que foi impedindo de, inclusive, protocolar o documento oficial na qual pede auditoria dos gastos com os transporte coletivo. Insatisfeitos com a situação, os manifestantes decidiram sentar nas vias e interromper o fluxo de veículos enquanto decidiam as novas rotas a serem seguidas. Durante o protesto foram citados os nomes dos 13 vereadores que votaram a favor do reajuste de 15%, o prefeito que sancionou a lei, gestores da Superintendência Municipal de Transporte e Transito, além do agente da GMA, Iury. Este servidor foi apontado como o responsável por atropelar uma manifestante na semana passada enquanto ela reivindicava a redução da tarifa e a qualificação do transporte público.
Para Flávio Marcel Menezes, membro do Não Pago, a falta de diálogo da atual administração municipal demonstra fragilidade, erro, incoerência e desonestidade de João Alves junto aos mais de 250 mil eleitores que apostaram no projeto de ‘solução’ apresentado por ele durante a campanha eleitoral de 2012. "O problema maior é o preço cobrado por este serviço sucateiro que hoje somos obrigados em usar, mas antes disso, não muito importante de se frisar, é que João e seus defensores secretários sequer nos atendem para estudar possíveis irregularidades contra o seu povo. Sabe o que é pior, é botar um BRT rodando pra cima e pra baixo na zona Sul divulgando mais uma propaganda falsa que todos nós sabemos que não vai sair do papel", disse.
Para os manifestantes, R$ 2,70 é uma tarifa abusiva e não corresponde com a qualidade do serviço atualmente oferecido a mais de 300 mil sergipanos. Nos dois primeiros anos de mandato, João Alves sancionou duas leis de reajuste que, juntas, contabilizam 19,5% se comparado ao último ano de mandato do ex-prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), no qual, passou os últimos dois anos de mandato (2011 e 2012) sem promover o reajuste da tarifa. Paralelo aos dados em porcentagem, em 2012 a tarifa do ônibus coletivo era R$ 2,25, hoje, custa R$ 2,75, um aumento de R$ 0,50 para cada trecho percorrido. Flávio Marcel ainda criticou a forma como os guardas municipais são orientados a atuar durante a mobilização dos passageiros.
"Seria um erro nosso não alertar a população para o risco da GMA para aqueles que pensam em ir para as ruas protestar contra alguma atitude irregular do senhor prefeito. Ele manda mesmo a Guarda cair em cima da gente, da mesma forma como ele fazia com a polícia em cima dos professores quando foi governador. João poderia encerrar a vida política de forma vangloriosa, mas vai ficar pra sempre marcado por essa administração pífia e incompetente", pontuou. Diante do caos gerado pela manifestação, agentes da SMTT também foram convocados para atuar nas intermediações do centro administrativo.
Repressão – Ao Jornal do Dia o coronel Enilson Aragão, comandante geral da GMA declarou que não houve barragem de nenhum cidadão para a rua que da acesso a sede da prefeitura. Segundo o oficial, foi criado um cordão de isolamento para revista pessoal. "Estamos fazendo isso para evitar que alguns deles em posse de pedras acabem depredando os vidros. Sabemos que um pequeno grupo acaba usando essa mobilização para promover vandalismo, mas isso nós não vamos permitir. Todos possuem direito de se expressar, protestar e ir para onde quiser, mas nós também temos o direito de revistar todos os cidadãos que apresentem qualquer ameaça de desordem. Essa é a missão da Guarda Municipal e assim estamos seguindo para o bem de todos", afirmou.
As secretarias que atum no Centro Administrativo Aloísio Campos encerraram o expediente mais cedo, por volta das 14h.. Para a próxima semana outros atos estão previstos. Os movimentos prometem divulgar o calendário até a próxima segunda-feira, 19.


