Milton Alves Júnior
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Feirantes que atuam nos mercados centrais de Aracaju permanecem sem sossego para trabalhar e acumulando prejuízos que chegam a passar dos R$ 5 mil. A onda de assaltos e furtos nas dependências internas do Mercado Albano Franco, administrado pela prefeitura, já foi denunciada pelo Jornal do Dia no último mês de maio, mas conforme os comerciantes, a fragilidade na fiscalização, em especial a noturna, continua favorecendo a atuação ilícita praticada por marginais muitas vezes armados. A Guarda Municipal de Aracaju (GMA) diz que vem realizando constantes abordagens a transeuntes em atitude suspeita, mas essa ação não tem sido suficiente para cessar, ou ao menos minimizar os arrombamentos a frigoríficos.
Na primeira quinzena deste mês de julho o efetivo da GMA conseguiu apreender mais de 30 facas, dois cabos de madeira que eram utilizados para simular arma de fogo, além de vasta quantidade de entorpecentes que eram carregados por usuários de drogas e marginais que transitavam pela região na busca de novas vítimas. Esses números apresentados pela corporação demonstra certa eficiência dos agentes, mas para os trabalhadores do mercado, principalmente aqueles que comercializam carnes e mariscos, pouco está adiantando.
Uma pequena demonstração da falta de atuação qualificada no interior do mercado reflete na história vivenciada por José Pedro que, por duas vezes em menos de dez dias, teve mais de R$ 2 mil em carnes subtraídos. Como se não bastasse a perda do produto que seria repassado para fregueses, o comerciante ainda teve um conjunto de facas e amoladores levados pelos meliantes. Esse kit está avaliado em média por R$ 450. Por ser o único meio de subsistência da família oriunda da cidade de Carira, reerguer a cabeça e continuar lutando por melhor segurança patrimonial é a única solução para o denunciante. "Outras vezes eu já tinha sido roubado, mas eram poucos quilos de carne, mais ou menos uns cinco. Agora parece que os marginais perderam ainda mais a ousadia e levam tudo mesmo. Nessa semana perdi quase tudo que tinha armazenado e tive que correr pra não passar esse final de semana sem levar um trocado para casa", lamentou.
Para garantir que estas ocorrências não voltem a prejudicar dezenas de feirantes, os próprios trabalhadores pressionam a Prefeitura de Aracaju para que um sistema de circuito interno com câmeras espalhadas pelos corredores, e rede de alarme, seja imediatamente instalado pelo poder público. Para garantir eficiência nessa instalação, os feirantes pleiteiam também a criação de uma nova base da Guarda Municipal dentro do complexo utilizado para a venda de carnes, frangos, peixes e camarões.
Cansada de ser vítima fácil dos marginais, a vendedora de aves, Rejane Souza, já pensa em deixar o local em busca de outros ambientes que possam fornecer maior segurança. Ela disse já ter comunicado o fato para o Ministério Público, mas até a manhã de ontem nenhuma melhoria foi promovida. "Se a gente não tem condições nem de deixar nosso material aqui guardado, o que vamos fazer? O jeito é se desapegar desse mercado abandonado e ir lutar por outro espaço melhor, ou que ao menos já garanta a segurança do nosso alimento. Vocês não têm noção como é constrangedor e triste ao mesmo tempo chegar aqui na banca e ver que o freezer foi arrombado. A segurança e organização aqui dentro é nada", afirmou.
Rejane teve 10 quilos de frango roubados, além de uma balança digital orçada em mais de R$ 700. Essa já foi a segunda balança perdida este ano para a bandidagem. A comerciante diz estranhar a recorrência dos fatos e nenhuma medida emergencial adotada pelo prefeito João Alves Filho e os demais gestores responsáveis pela direção dos mercados.
"O que a gente estranha é que essa reclamação não é de agora e ninguém faz nada pra acabar com essa situação. Se botassem seis agentes da Guarda Municipal aqui fazendo ronda toda noite com a ajuda de cães, por exemplo, tenho certeza que essas invasões iriam acabar. Sei que prender bandido e facas do lado de fora é importante, mas aqui dentro precisamos de fiscalização também. Esperamos que o prefeito agora possa se atentar para esse problema", pontuou.
Medidas – Pelo Comando Geral da Guarda Municipal de Aracaju foi informado que atualmente a região conta com dez agentes que se dividem em rondas externas. Quanto à reivindicação referente a vistoria interna, a corporação garantiu que este pleito pode ser atendido pela prefeitura, porém esse fato só deve ocorrer após a realização de novo concurso público que, por sinal, não tem previsão exata para ocorrer. Já sobre o sistema de monitoramento através de câmeras e alarme, a administração municipal disse que já possui um projeto, mas este também não possui previsão para ser implantado. Nenhum dos comerciantes que prestaram Boletim de Ocorrência foi ressarcido pela Prefeitura de Aracaju.


