Guarda reprime protesto dos camelôs

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Agentes da Guarda Mu-nicipal de Aracaju es-tão sendo acusados de abuso de poder e prática violenta contra um grupo de ambulantes que se mobilizou na manhã de ontem na capital sergipana para protestar pela retirada dos trabalhadores que ocupavam ruas e calçadas do centro comercial. Após realizar um ato nas intermediações do Mercado Albano Franco, os trabalhadores seguiram em marcha até a sede da Câmara dos Vereadores de Aracaju onde foram recepcionados de forma truculenta por parte da GMA. Indignados com a situação presenciada por centenas de pessoas que transitavam pela região, os manifestantes lamentaram que servidores que formam a segurança pública municipal estejam sendo orientados a agredir todos os trabalhadores e estudantes que decidem protestar contra o governo João Alves Filho.

Na avaliação da Associação dos Vendedores Ambulantes, para acabar com a série de manifestações que vem ocorrendo desde a última quinta-feira, 23, é imprescindível que o prefeito, ou algum gestor ao seu comando possa se mostrar interessado em debater as pautas apresentadas pelos vendedores que já dizem contabilizar grandes prejuízos. Segundo Antonio Marcos Vieira Cruz, representante da categoria nestes movimentos, a falta de sensibilidade por parte da Prefeitura de Aracaju junto aos próprios aracajuanos tem contribuído para que a atual administração esteja fracassada e adotando ações cada vez mais reprovadas pelo povo.

A atitude apresentada na manhã de ontem pela Guarda Municipal foi apontada como falta de respeito ao direito de expressão e desrespeito à democracia nacional. "Eu mesmo não acreditava que a GMA estaria tão despreparada ao ponto de agredir um pai de família que veio a essa manifestação em busca de apoio dos vereadores. Só estamos aqui reunidos para lutar por uma melhor condição de trabalho e geração de mais renda para as nossas famílias. Ao contrário do que João disse durante a campanha eleitoral, em nenhum momento fomos convidados para conversar. Hoje voltamos a ser agredidos por esta polícia de João Alves que só faz bater em manifestantes", disse. Durante a confusão registrada quatro pessoas foram detidas após arremessar objetos contra os agentes de segurança. Pelo comando geral da GMA foi dito que, por precaução, a fim de evitar outras desordens públicas, estes manifestantes foram removidos do ato.

Vendedor ambulante há mais de 20 anos, Paulo Ramos contestou o pronunciamento do comandante Enilson Aragão. De acordo com o comerciante de artigos para celular e bonés, já por volta das 9h a guarda apresentava ampla insatisfação com a mobilização dos ambulantes. "Quem assiste o coronel falando uma coisa dessas parece que nós chegamos aqui criando tumulto. É engraçado como eles sempre estão certos. Bem assim foi com os passageiros do transporte público ano passado. Quem esteve aqui, até mesmo os funcionários da Câmara de Vereadores puderam assistir a uma covardia sem fim. Eles começaram a bater na gente sem necessidade e por isso alguns jogaram frutas neles", lamentou. Os quatro homens detidos foram liberados após a manifestação.

Depois das agressões registradas em frente à casa legislativa, os mais de 500 ambulantes exigem que os vereadores agora, além de apoiar os trabalhadores pela permanência nos antigos locais de uso, também comecem a investigar a conduta profissional adotada pelos agentes da GMA. A vendedora de frutas Leilane dos Santos disse não entender o porquê da não realização de diálogos. "O prefeito esteve aqui conversando com a gente e prometeu uma coisa e agora faz outra totalmente diferente. Eles tiraram a gente a força, na covardia de sempre, e hoje acabamos agredidos aqui. Eu mesma fui atingida. Espero que os vereadores possam investigar esses abusos da Guarda Municipal e a forma como o coronel Enilson Aragão tem atuado", afirmou.

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