*Rian Santos
A guerra cultural pro movida pelo gover no Bolsonaro – orientada por um confuso e contraditório sentido de eugenia cristã, no qual a música deve fazer barulho nos palcos com a mesma intenção que ecoa nas catedrais -, explodiu recentemente na Bahia. O episódio foi amplamente divulgado. Amparado em um post nas redes sociais, em que o Festival de Jazz do Capão se posiciona contra o fascismo e a favor da Democracia, a Funarte acusou um suposto desvio ideológico do evento e negou o emprego de recursos públicos captados por meio da Lei Rouanet.
Felizmente, o tiro saiu pela culatra. Consequência do escândalo, o evento nunca foi tão bem divulgado. O escritor Paulo Coelho, o mais célebre parceiro de Raul Seixas, resolveu bancar tudo com o próprio bolso. Mas não sem antes impor as próprias condições: O Festival de Jazz do Capão terá de reafirmar a sua disposição antifascista e a defesa da Democracia.
Deu ruim para os reaças. Além de chamar atenção para a causa, os patetas liderados pelo secretário especial de Cultura, o ator sem futuro Mario Frias, ainda entraram na mira do Ministério Público Federal. Um inquérito apura se o parecer da Funarte, repleto de referência religiosas, violou, entre outros princípios constitucionais, o da laicidade do Estado.
Tudo o que aqui já foi dito é fato de conhecimento público. Novidade é a campanha de financiamento público lançada pelo Festival. A sua realização está garantida. No entanto, socialistas até a medula, os seus organizadores pretendem repartir o pão, por assim dizer, distribuindo recursos junto a sete parceiros locais.
Pelo visto, os comunistas não sossegam enquanto não derrubarem as torres e colunas sacras da Alta Cultura (contém ironia).
*Rian Santos, jornalista.


