Homem estuprou as filhas por 20 anos

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um caso estarrecedor de violência sexual durou impôs sofrimento por mais de 20 anos e a várias meninas de uma família inteira no povoado João Fernando, em Capela (Agreste). Este sofrimento só teve fim nesta terça-feira, quando policiais da Delegacia local prenderam o ex-detento Heraldo Silva, 54 anos, pai das vítimas e autor dos crimes. Ele foi denunciado pela filha mais velha, que tem hoje 28 anos de idade e foi abusada pelo pai entre os oito e 15 anos, quando fugiu de casa com um namorado. O bandido foi apresentado ontem de manhã pela Polícia Civil e negou os abusos, dizendo ser um "pai bondoso".

De acordo com o delegado Hugo Leonardo, foram confirmados abusos contra cinco filhas do presidiário, que tem, ao todo, 22 filhos com várias mulheres. Há, inclusive, a suspeita de que ele teria engravidado uma das primeiras vítimas, mãe de um menino que tem hoje oito anos. A suspeita foi levantada pelas próprias filhas. "Nós vamos solicitar que a Justiça autorize a realização de um exame de DNA na criança, pois há fortes suspeitas de que ele é pai do próprio neto", comentou o delegado, sem descartar a possível existência de outras jovens e crianças estupradas por Heraldo, cujo perfil é descrito como o de um "predador sexual", agressivo, perigoso e dissimulado.
"Quando a pessoa age desta maneira, reiterada, a gente vê um padrão de desvio sexual, seria uma espécie de predador sexual. Geralmente, as pessoas que tem esse problema grave de sexualidade, ele atua geralmente com as pessoas próximas, sejam parentes ou pessoas da vizinhança. Nós aguardamos agora que, se houverem outros casos, eles sejam confirmados, porque com a prisão dele, não subsiste mais a ameaça, a influência direta dele sobre as vítimas. Acreditamos que isso encoraje as outras vítimas. Se houver informações de novos casos, vamos apurar", assegurou Hugo.

O delegado disse que a denúncia da jovem confirmou os boatos que já circulavam há algum tempo no povoado sobre a relação de Heraldo com as filhas. Ela veio à tona quando a irmã mais velha soube que o pai abusava sexualmente de outras duas filhas, ambas com 15 e 16 anos, desde o ano passado. "Ela informou que, a partir do momento que ela soube que o pai começou a abusar as irmãs mais novas, ela se sentiu obrigada a não deixar que o que aconteceu com ela se repetisse com as mais novas", disse ele, relatando que sua equipe de policiais seguiu as pistas e conseguiu, de outra vítima, a confirmação que faltava para que a Justiça decretasse a prisão preventiva do estuprador.  

Após a prisão, ocorrida na casa do acusado, onde o mesmo morava sozinho, a polícia ouviu os depoimentos das cinco filhas violentadas e da ex-mulher de Heraldo, que separou-se dele há 16 anos por não se conformar com as atitudes dele. "Ouvimos as vítimas separadamente e todas confirmaram essas histórias, com detalhes. Não há como haver mentira ou equivoco, pois todas elas convergem para as mesmas informações, como o mesmo modo de operação o mesmo tipo de ameaça, a mesma desculpa que ele usava para atraí-las e o histórico violento dele. O que é difícil é ver que apesar de tantos anos elas ainda têm uma dificuldade enorme em falar sobre os crimes", lamenta Hugo.

Ainda conforme o delegado, o marginal costumava agir contra mulheres e adolescentes, iniciando os abusos quando elas tinham entre oito e 12 anos de idade. "Ele é caçador de animais silvestres e levava as filhas para o mato com a desculpa de que elas iriam caçar com ele. Quando eles chegavam ao mato, ele agia. Tirava a roupa delas, introduzia o dedo na vagina e depois, em outra oportunidade, consumava a relação sexual. Depois da separação, ele passou a chamar as filhas para casa dele com a alegação de que iriam realizar tarefas domésticas, como arrumar a residência e cozinhar para ele", disse. Em um dos casos, a terceira filha do criminoso foi violentamente espancada durante o estupro. "As meninas se casavam cedo para sair de casa e do jugo dele", revelou.

A situação era tão grave que gerou muitos conflitos. Além da separação, um dos filhos do acusado cometeu suicídio há cinco anos. "Ele era o único que enfrentava o pai para proteger as irmãs, justamente por não concordar com a atitude do chefe da família, só que era espancado e muito perseguido por este pai. O rapaz atirou no próprio corpo, mas sobreviveu, porém, quando se recuperou, ele acabou se enforcando", disse.

Além dos crimes de estupro de vulnerável, Heraldo será processado por porte ilegal de arma, pois foi encontrado com uma espingarda caseira, um revólver calibre 38, chumbo, pólvora e munições. Segundo a polícia, ele fez parte de um grupo de assaltantes que agia na região e chegou a ser preso em 1997, mas foi resgatado pelos três comparsas, os quais invadiram a delegacia e espancaram os agentes de plantão. Os participantes deste resgate foram mortos em tiroteios com a polícia.

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