Gabriel Damásio
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O repositor de mercado Antônio Carlos Silva de Almeida, 47 anos, morreu depois de ser atacado por dois cachorros da raça pitbull. O episódio aconteceu ao final da noite de terça-feira em uma estrada deserta no povoado Campo do Marinho, em São Cristóvão (Grande Aracaju), onde o corpo foi encontrado ao início da manhã de ontem. Segundo parentes da vítima, os cães eram criados em uma chácara situada nesta estrada, pela qual a vítima fazia o seu caminho diário entre sua residência, no povoado Colônia Miranda, e o supermercado onde trabalhava, no centro de São Cristóvão. O responsável pela propriedade não foi encontrado.
De acordo com a sobrinha do repositor, Letícia de Almeida, o último contato com o tio foi feito por volta das 22h, quando ele avisou que estava indo para a casa onde morava com a mãe. No entanto, ele não apareceu durante a madrugada, o que causou preocupação na família. A notícia da morte dele, no entanto, foi confirmada à família por vizinhos que, ao passarem pela estrada, encontraram o corpo próximo à cerca da chácara, com muitas marcas de mordidas. "A gente não sabia que esses pit-bulls eram criados na chácara. E nem ele sabia. Esses cães estavam soltos e, quando o meu tio passava em frente à cerca, atacaram ele. Esbagaçaram o rosto, a face, a cabeça… não conseguíamos reconhecer o rosto dele", disse ela.
A suspeita é de que os animais teriam cavado um buraco junto à cerca e passado por ele para ganhar a estrada. O caminho, por sua vez, é deserta e escura durante a noite. Conforme relatos, os cães ainda rondavam o corpo de Antônio Carlos no início da manhã, mas voltaram para a chácara assim que as pessoas chegavam ao local. Em seguida, os cães teriam sido levados do local por uma pessoa ligada aos donos da propriedade, enquanto o cadáver era examinado e recolhido pelo Instituto Médico-Legal (IML).
O caso deverá ser investigado pela 12ª Delegacia Metropolitana (12ª DM) que deve intimar os proprietários da chácara para se explicar sobre os cães. A família do repositor quer justiça. "Com certeza, vamos buscar a Justiça e os nossos direitos, por que foi tirada a vida de um trabalhador, um rapaz de bem, bem conhecido, que todo mundo gostava. Infelizmente, por uma irresponsabilidade do dono em deixar dois pitbulls soltos, meu tio acabou indo embora de forma muito trágica", desabafa Letícia. O corpo de Antônio Carlos só foi liberado no final da tarde de ontem, depois de problemas com o atendimento ao público no IML.
O último ataque de pitbulls que ganhou repercussão em Aracaju aconteceu em novembro de 2012, quando um cachorro da raça fugiu de uma casa no Conjunto Augusto Franco (zona sul) e mordeu um menino de sete anos que brincava na rua com colegas. A criança teve a orelha dilacerada e sofreu vários pontos nas pernas e na cabeça. A família da vítima processou o dono do animal na Justiça.
Caracterizados por sua força física e temperamento explosivo, os cachorros da raça pitbull são centro de uma antiga polêmica, causada principalmente por ataques que já causaram mortes e ferimentos graves dando-lhes a fama de raça violenta. Parte da sociedade defende que a raça seja sacrificada e que sua criação seja proibida. Os defensores dos direitos dos animais discordam: sustentam que a agressividade dos cães é estimulada pelos próprios donos e que a solução para conter os ataques é a criação responsável deles. Alguns estados brasileiros, como o Rio de Janeiro, criaram leis obrigando o cadastro dos cães pitbulls na polícia e proibindo a circulação deles sem focinheiras, coleiras e enforcadores.


