Cândida Oliveira
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Aracaju ganhou na sexta-feira mais 14 leitos para tratamento da saúde mental. Os leitos fazem parte do Serviço Hospitalar de Referência (SHR), do Hospital São José, e vai atender o público feminino. O público masculino tem atendimento no Hospital Cirurgia que conta com 16 leitos.
De acordo com a coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial de Aracaju, Karina Cunha, o serviço é porta aberta e atende usuários de álcool e outras drogas, inclusive crack, além dos casos de transtornos mentais, como esquizofrenia.
"O paciente passa primeiramente pela urgência mental, onde é atendido por um médico psiquiatra, ele faz o encaminhamento para o SHR, onde o atendimento é realizado por uma equipe multiprofissional, formada por psiquiatras, psicólogos, clínicos, enfermeiros, terapeutas, além disso, o paciente também tem atividades lúdicas e oficinas", explicou a coordenadora. Até ontem, cinco mulheres estavam recebendo atendimento no SHR.
Ela contou que Aracaju é a primeira capital do Brasil em cobertura do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps) e que atualmente existe a necessidade de atendimento no interior do estado. "A cobertura na capital sergipana é excelente, agora precisamos ampliar os serviços", observou. Os Caps fazem parte de uma rede articulada, com urgência mental para os casos agudos.
Para o próximo ano a Secretaria Municipal de Saúde realizará o atendimento na rua, o projeto se chamará Consultório na Rua, que será itinerante, abordando as pessoas nas ruas. A expectativa de implantação do projeto é setembro de 2014. "Estamos em fase de elaboração, depois vamos capacitar os profissionais, entre outras coisas".
Outra novidade será a implantação, no final do próximo ano, da Casa de Acolhimento Provisório. "Quem estiver no Caps sendo atendido, mas em situação de rua, o espaço irá acolher essas pessoas por um período. A Casa terá vários profissionais que trabalharão para tentar reinserir essas pessoas no mercado de trabalho, na sociedade, nas suas famílias", esclareceu Karina.
No tocante ao internamento compulsório, Karina diz que quando o tratamento é imposto, os resultados não são satisfatórios. "De cada 10 pacientes internados, oito deles voltam às drogas, e desses, a metade tem recaída em pouco menos de 48 horas depois que deixa o hospital. Eles saem de sua vida para ficar um período internado, como se tivessem deixando os problemas para trás, mas quando voltam para sua realidade, para seus problemas, dificilmente conseguem sucesso". Ela lembra ainda dos manicômios. "Na perspectiva de internação ou reclusão, temos um histórico dos manicômios que tinham baixo índice de resolutividade", disse.


