Hospital de Cirurgia não está pagando aos médicos

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

O Hospital Cirurgia poderá paralisar as atividades a partir da semana que vem, segundo informações de médicos que atendem na unidade.
De acordo com os profissionais que atuam na unidade de saúde, os salários estão atrasados há quase três meses por conta da falta de repasses de recursos pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ao hospital. A paralisação por tempo indeterminado das atividades poderá ocorrer a partir do dia 31 deste mês. O atendimento deverá ser suspenso em vários setores como de cardiologia, neurocirurgia, radiologia, inclusive paralisando a emergência.

Em entrevista na manhã de ontem, o coordenador da Unidade Vascular do Hospital Cirurgia, Fábio Serra, relatou a situação da unidade de saúde. Ele informou que os médicos do hospital já entraram em contato com o Ministério Público Estadual numa tentativa de buscar uma intervenção do órgão para resolver a crise financeira enfrentada pelo hospital por conta da falta de repasses de recursos públicos à unidade.

"Não tivemos nenhum posicionamento até agora do valor a ser pago do mês de novembro, e a partir de segunda-feira só receberemos os casos de emergência", informou o médico. Fábio Serra manifestou preocupação ao relatar que muitos profissionais estão pedindo demissão diante do problema. "Eles estão optando por trabalhar em outros locais, já que o hospital não está pagando. É uma situação preocupante, considerando que é o único serviço de cardiologia que presta atendimento a todo Estado de Sergipe", alerta.

De acordo com o médico, a partir de sexta-feira, 31, não haverá mais plantonistas para trabalhar na unidade.  Fábio Serra informou que a direção do Hospital Cirurgia está inviabilizada de ter uma decisão concreta sobre o problema porque está dependendo de repasses de serviços prestados de meses anteriores realizados pela antiga gestão da pasta de saúde municipal. "A direção do Hospital Cirurgia já enviou ofício a Secretaria Municipal de Saúde e aguarda um retorno. Precisamos de um posicionamento da secretaria com prazos de pagamento. São mais de 18 médicos nesta situação", reforçou.
Além do Hospital Cirurgia, outras unidades de saúde com contratos com a prefeitura não descartam uma paralisação em consequência da falta de repasses financeiros.

MPE – A situação do Hospital Cirurgia também preocupa a promotora da saúde do Ministério Público Estadual, Euza Missano, que está agendando uma audiência na semana que vem com a direção do SMS e com a unidade de saúde para buscar esclarecimentos sobre a real situação do problema.

A promotora teme que haja a desassistência ou descontinuidade de serviços ofertados pelo hospital. "A diminuição das escalas de rotina traz um transtorno e impacto considerável na assistência à população. É uma situação extremamente preocupante", definiu a promotora.

Euza Missano criticou a demora da direção do hospital em entrar em contato com o MPE, lembrando que o caso exige urgência e que a promotoria só foi acionada dentro de uma situação-limite. Ela informou que tomou conhecimento sobre o fato somente na manhã de quinta-feira, 24, em uma conversa informal com profissionais da unidade de saúde.

"Apelamos para o bom senso de todos para que não haja uma paralisação antes desse problema ser discutido no Ministério Público. Vamos designar uma audiência de emergência para que o município e o hospital esclareçam a situação", disse.

A promotora destacou que é impossível para um hospital que acumula uma demanda considerada no estado, sendo o único eletivo em Aracaju, estar numa situação critica. Euza Missano destacou ainda que o Cirurgia oferta especialidades que hoje são essenciais para pacientes do SUS atendidos em todo estado.

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