Milton Alves Júnior
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O Hospital de Cirurgia pode reiniciar hoje os procedimentos cirúrgicos que estavam suspensos até à tarde de ontem devido à mobilização promovida por 1.300 funcionários que protestam contra o não repasse da segunda parcela do décimo terceiro salário, além do salário referente a dezembro. Com a interrupção, articulada por meio da Associação dos Funcionários e Amigos da Unidade (ASFA), apenas nas últimas 48 horas mais de 40 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) deixaram de passar por cirurgias. Outras 250 pessoas deixaram de ser atendidas em consultas, ou fazer exames na unidade hospitalar.
Para tentar resolver a situação caótica vivenciada por enfermeiros, médicos, terceirizados e técnicos administrativos, a direção do HC participou na manhã de ontem de mais uma audiência no Ministério Público Estadual (MPE), para tentar encontrar soluções para os impasses milionários que interferem nas atividades do hospital. No diálogo realizado nas dependências da Promotoria de Direitos à Saúde, ficou definido que a Prefeitura de Aracaju deve quitar até o dia 29 de fevereiro toda a pendência ainda a ser debitada. Essa dívida existente, e abrangente nos últimos três anos, está orçada em 11 milhões de reais. Em média, 80% dos pacientes atendidos no HC são de responsabilidade da administração municipal.
Na tarde de ontem, o diretor presidente da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia, Gilberto Santos, destacou a reunião como positiva e disse aguardar que os profissionais cessem as mobilizações que estavam previstas para ocorrer até a noite de hoje. Segundo o gestor, os atos públicos são respeitados pela administração da unidade que também compartilha com a classe trabalhadora o sentimento de tristeza por não poder contar com o salário mensal e demais benefícios trabalhistas.
"Esperamos que já nesta quarta-feira a gente possa garantir a normalização das atividades. Estivemos mais uma vez com o promotor Fábio Viegas, quando a Secretaria Municipal de Saúde e de Finanças da Prefeitura de Aracaju se comprometeu a quitar a dívida. Esperamos que essa promessa realmente seja cumprida para que juntos possamos atender o pleito dos servidores que estão lutando por direitos que os assistem", disse o diretor.
Questionado sobre a difícil situação vivenciada por usuários do sistema que foram obrigados a adiar o procedimento cirúrgico, Gilberto Santos informou que ainda esta semana todos aqueles que se enquadrem nessa lista de pacientes serão convidados para definir a melhor data para, enfim, proceder com a assistência médica. "Não iremos deixar nenhum cidadão sem o devido atendimento que já estava previsto com certa antecedência para ocorrer nesses dias de paralisação. Estamos convidando um a um aos poucos para que possamos novamente agendar as datas de acordo com a disponibilidade de cada paciente. Mais uma vez destacamos a necessidade de a prefeitura quitar essas pendências no novo prazo estabelecido para que nós não possamos enfrentar novas paralisações de advertência, ou mesmo, possíveis greves por tempo indeterminado", pontuou o presidente.
Cálculos apresentados pelos funcionários que apoiaram o movimento indicam que a dívida já está orçado em R$16 milhões, sendo 5 milhões de reais de pendências do IPES Saúde, e os demais R$ 11 milhões da administração municipal.
ASFA – Conforme destacado pelo presidente da associação, José Cícero dos Santos, as categorias permanecem dispostas a dialogar com a administração do Hospital de Cirurgia, mas para que isso possa ocorrer é necessário que as atuais pendências sejam quitadas. Segundo o militante, na há possibilidade de firmar novos acordos caso as demandas pleiteadas nos atos não sejam atendidas. "A paralisação foi articulada para ocorrer durante 72 horas seguidas, e não podemos recuar caso o salário e a nossa gratificação natalina não seja paga. Estamos sim dispostos a debater avanços que possam, sobretudo, resultar em benefícios para os trabalhadores e para os pacientes do SUS, mas primeiro exigimos que os nossos direitos sejam respeitados e quitados", informou.


