Milton Alves Júnior
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Foi confirmado na tar-de de ontem que 13 pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) contraíram a Bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). As vítimas, que não tiveram a identidade revelada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), permanecem internadas em estado crítico de saúde e devem ficar sob observação clínica por pelo menos mais 20 dias. Durante entrevista coletiva realizada nas dependências da unidade hospitalar, o diretor clínico Marcos Krugger garantiu que medidas emergenciais de combate à bactéria já foram adotadas. Diante do trabalho preventivo, a perspectiva é que até a próxima quarta-feira, 22, alguns pacientes já estejam diagnosticados sem a infecção que gera pânico à população.
Das 13 confirmações oficializadas pela SES e Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), 12 estão colonizados, sendo oito em estado crítico, e um locado em enfermaria, podendo, inclusive, receber alta médica ainda neste sábado. A situação que já era considerada crítica pelo Governo do Estado nos últimos dois meses, se agrava com a possibilidade de novos diagnósticos positivos da bactéria serem confirmados nos próximos meses. Krugger destacou a necessidade de permanecer com a operação por tempo indeterminado e disse estar ciente que nos próximos meses deve registrar mais um ou dois casos. Todas as informações relacionadas à KPC estão sendo repassadas para o Ministério da Saúde que acompanha este caso em Sergipe.
Desde o último mês de maio cerca de 90 pessoas em atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Sergipe, já se submeteram a análises clínicas para diagnosticar, ou não, a presença da super bactéria. 43 apresentaram diagnóstico positivo, 18 foram curadas e receberam alta; sete não suportaram as complicações e faleceram. "Estamos aqui reunidos para garantir que todo o procedimento de combate está sendo realizado, e que avanços significativos já foram conquistados. Os laudos negativos começam a apresentar redução significativa e estamos reforçando as ações de combate para que as estatísticas continuem no rumo que desejamos, mesmo assim, não descartamos a possibilidade de novas confirmações nos próximos meses", afirmou.
Na primeira etapa da bactéria oficialmente registrada em Sergipe, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que a taxa de mortalidade em pacientes com infecção pela bactéria manteve-se em 3,7% (2/54), sendo de 9,2% (5/54) em pacientes colonizados; nestes últimos, os óbitos ocorreram por outras causas clínicas (cardíacas, neurológicas, hemorrágicas). Quanto a esta segunda e inesperada etapa da KCP dentro do Huse, a superintendente Licia Diniz, garante que o esforço operacional e logístico realizado em conjunto pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), a Fundação Hospitalar de Saúde e a SES contribui para o grupo alcançar aspectos positivos em curto prazo.
Ela explica que está situação tem sido diagnosticado em diversos países. "Essa bactéria ocorre no mundo todo e ela não surge por falta de higiene como já ouvi falar em alguns lugares que estive. Ela surgiu porque o paciente tomando antibiótico ele vai ficando resistente aquele antibiótico, e a bactéria acaba também ficando resistente. É preciso deixar claro que isso só não se alastrou mais devido ao nosso conhecimento técnico e pela equipe maravilhosa que temos hoje. Por isso estamos conseguindo essa contenção", explicou.
Em conversa com a imprensa, Lícia afirmou que todos os trabalhadores que atuam diretamente em UTIs estão recebendo acompanhamento especializado a fim de diagnosticar se o próprio profissional estaria, sem saber, contribuindo para a ampliação da bactéria. Um caso foi confirmado no Huse e a funcionária necessitou ser afastada. "Foi um caso atípico. A funcionária foi afastada, recebeu o tratamento necessário e, depois de sanada a ocorrência, ela foi redirecionada as funções que desenvolvia anteriormente", pontuou.
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde, e do Hospital de Urgência, a perspectiva é que na próxima semana um novo laudo clínico possa apresentar informações atualizadas quanto ao trabalho de combate à KPC.


