Milton Alves Júnior
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Famílias despejadas do antigo Hotel Aperipê por cumprimento de ordem judicial permanecem aglomeradas no cruzamento das ruas São Cristóvão e Capela, e sem perspectiva de deixar a via pública. Sem condições financeiras para alugar um novo lar, ou galpão para se acomodar enquanto não encontram alternativas emergenciais para a atual situação de calamidade, dezenas de pessoas, entre elas criança recém-nascidas e idosos, tentam garantir a sobrevivência através de doações feitas por comunidades religiosas que se solidarizam com a falta de Direitos Humanos para os sem teto. A esperança visivelmente presente nos olhos dos moradores de rua reflete na possibilidade de serem contemplados com um auxílio moradia a ser repassado pela Prefeitura de Aracaju.
Sgundo regras estabelecidas pela Secretaria Municipal de Apoio à Família e Assistência Social (Semfas), para que este benefício financeiro seja atribuído às mais de 20 famílias é preciso que o inquilino apresente comprovante de pagamento referente ao aluguel mensal do imóvel, além de talões de água e energia.
De acordo com a moradora Maria Helena dos Santos, 28 anos, é impossível algum dono de casa aceitar alugar o respectivo imóvel para uma família que sequer possui previsão de quando deve receber dinheiro para quitar a pendência econômica. Sem perspectiva de deixar o local com o marido e mais duas filhas, ela garante que o grupo permanecerá unido e implora por uma postura solidária do prefeito João Alves Filho. "Vocês acham mesmo que se a gente tivesse condições, a gente não já teria ido pra algum lugar pra dar segurança para as nossas filhas? Estamos vivendo um momento de terror e o prefeito, nem qualquer outra pessoa que trabalha com ele se sensibiliza com a nossa situação. Não temos dinheiro pra alugar uma casa como a prefeitura exige", afirmou.
Auxílio – Por meio de nota oficial a direção da Semfas confirmou esta medida administrativa como única condição para conceder o benefício. O órgão municipal garantiu ainda que estas informações foram apresentadas oficialmente e de forma pessoal aos moradores do prédio há cerca de dez dias durante o cadastro promovido pelo poder executivo municipal. Dados da secretaria mostram que, das famílias cadastradas, até à tarde de ontem apenas uma família foi à unidade para requerer o benefício.
Caso consigam se enquadrar nas exigências da prefeitura, as famílias da Ocupação Dandara devem receber o auxílio-moradia até que sejam inseridas em programas de habitação popular. O também desabrigado José Pedro Souza disse estar disposto para continuar ocupando as ruas até que alguma medida satisfatória possa ser apresentada pelo prefeito. "Essa luta ainda vai longe porque estamos vivendo nessa situação e o prefeito ao invés de vir conversar com a gente, vai a programas de rádio falar sobre eleições do ano que vem e dizer que tem couro de jacaré. Queremos um pouco desse couro, senhor prefeito, porque nossas crianças estão com frio. Ele acha que a gente é burro por ser pobre, estamos ouvindo os programas de rádio e lendo jornais", declarou.
CDL – Atenta às interferências econômicas que esta ocupação gera para dezenas de comerciantes da região, a direção da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) começa a pressionar a administração pública para atender em caráter de urgência a reivindicação dos populares. Unindo-se ao pleito dos comerciantes, a Federação dos Dirigentes Lojistas do Estado de Sergipe também exige uma postura mais versátil para o momento de crise. "Justamente nesse instante de dificuldades acontece um problema como esse. Já estamos há dois dias sem nenhum movimento nas nossas lojas e acredito que nessa quarta-feira será a mesma coisa. Com essas famílias carentes aqui na rua, nenhum cliente vem aqui para comprar nada, ou solicitar algum tipo de assistência", lamentou a lojista Ellen Costa. Ao todo mais de 60 pessoas permanecem ocupando ruas e calçadas.


