Incêndio em Cristinápolis: polícia indicia quatro servidores

A Polícia Civil anunciou ontem a conclusão do inquérito sobre o incêndio ocorrido na Câmara Municipal de Cristinápolis, em 12 de fevereiro, no mesmo dia em que os vereadores votaram o pedido de cassação do prefeito Raimundo Leal (PMDB). A investigação concluiu que quatro funcionários contratados da Prefeitura local foram os responsáveis pelo fogo que destruiu parte do prédio, principalmente o Arquivo Legislativo. Foram indiciados os servidores Desiraldo Santos Silva, 31 anos, o ‘Sinho’, e Josivan de Jesus Santos, 34, o ‘Bolinho’, lotados no gabinete da Secretaria Municipal de Transportes de Cristinápolis, além dos vigilantes Israel Marciano do Nascimento, 28, e José Erivaldo Arruda de Sobral, o ‘Ero’, 31, que trabalham em escolas da rede municipal.

Os quatro serão processados pelos delitos de incêndio criminoso e associação criminosa. O delegado responsável pelo caso, Paulo Cristiano Ricarte, também pediu a prisão preventiva de Desiraldo, Josivan e Israel, mas a decisão ainda não foi tomada pela Justiça. Erivaldo por sua vez, foi poupado porque colaborou com as investigações e está internado na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju, pois sofreu queimaduras graves pelo corpo.

Em entrevista coletiva, Ricarte confirmou que a principal pista do caso foi o levantamento de pacientes socorridos com queimaduras em hospitais da Bahia e de Sergipe, através do qual ‘Ero’ foi descoberto três dias após o crime. Foi o vigilante quem confessou a autoria do incêndio, confirmou os outros envolvidos e deu detalhes da execução do plano. "Na noite dos fatos, Sinho foi a casa de Erinaldo em uma motocicleta da Secretaria de Transportes da Prefeitura e o chamou para fazer um serviço. Quando saiu de casa, Ero viu Israel e Bolinho em outra motocicleta. Os quatro partiram em direção à zona rural do município para aguardar o melhor momento de retornar à cidade", detalhou Ricarte.

Confirmou-se também que, durante a madrugada, os quatro foram à Câmara e um deles, ‘Bolinho’, atirou uma pedra para quebrar a porta de vidro. "Lá dentro, ‘Ero’ e ‘Sinho’ começaram a jogar cinco litros de combustível na cozinha, corredor e no arquivo. No entanto, o José Erivaldo não percebeu que seu corpo estava molhado de gasolina e quando ateou fogo no prédio acabou se queimando gravemente. Com o acidente, eles desistiram de continuar a destruição e fugiram", narrou Ricarte.

O delegado de Cristinápolis preferiu não comentar sobre a possível motivação política dos suspeitos, dizendo ser apenas um técnico de segurança pública e que sua análise restringe-se aos fatos narrados e registrados no inquérito policial.  Ainda de acordo com Cristiano, os envolvidos não revelaram quem foram os mandantes do incêndio contra a Câmara. A investigação também se baseou em imagens registradas pelas câmaras de segurança de uma agência do Banco do Estado de Sergipe (Banese) situada ao lado da Câmara, além dos laudos periciais do Instituto de Criminalística e dos depoimentos de bombeiros e testemunhas. (Gabriel Damásio)

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