Um incêndio ocorrido por volta das 6h40 desta sexta-feira destruiu a ala de internação dos pacientes com Covid-19 no Hospital Municipal Nestor Piva, na Avenida Maranhão (zona norte de Aracaju). O fogo se alastrou rapidamente pela ala e instaurou um clima de pânico entre os profissionais de saúde, que montaram uma operação de guerra para retirar todos os pacientes que estavam internados no hospital. Toda a unidade precisou ser evacuada às pressas. Segundo a Prefeitura de Aracaju, quatro pacientes morreram e outros 35 pacientes foram transferidos para outros hospitais. E aproximadamente 25 pessoas precisaram de atendimento médico por causa da fumaça e da fuligem expelida no incêndio.
De acordo com o tenente Fabiano Queiroz, do Corpo de Bombeiros, o foco do incêndio estava concentrado na sala dos médicos, onde, segundo testemunhas, teria ocorrido um curto-circuito. "Fomos acionados por volta das 6h40 e em menos de cinco minutos já estávamos no local. A ala estava tomada de fumaça, não era possível ver nada. Nossa prioridade foi salvar as vidas. Fizemos a retirada de todas das pessoas que estavam na UTI e depois controlamos o incêndio, que teve como foco a sala dos médicos. Em cerca de meia hora já havíamos feito a retirada dos pacientes e o incêndio estava controlado", afirmou o tenente.
Em seguida, dezenas de equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram deslocadas para fazer a transferência dos pacientes, que aguardavam concentrados em macas enfileiradas na entrada externa de ambulâncias. Algumas das vítimas estavam intubadas, o que exigiu um maior cuidado na operação de transferência. A movimentação chamou a atenção de muitas pessoas, que foram ao local para ajudar as equipes de resgate. Muitos dos funcionários do hospital estavam abalados com a situação que viveram e alguns deles choravam.
Os pacientes foram levados aos Hospitais de Urgência (Huse), da Polícia Militar (HPM), Santa Isabel, Senhor dos Passos, Primavera, Gabriel Soares, Fernando Franco e leitos do CapsJael Patrício. Os demais usuários do SUS que recebiam atendimento porta aberta e funcionários que inalaram fuligem também foram transferidos. "Nossa equipe técnica foi mobilizada para definição das estratégias do transporte seguro dos pacientes, incluindo a Central de Regulação de Urgência/SAMU, além de comunicação com todos os hospitais da rede para organizar o acolhimento dessas vítimas. Esse trabalho segue até que todos, incluindo os funcionários do Hospital, recebam a devida assistência", disse a secretária de Estado da Saúde, Mércia Feitosa. A operação de socorro às vítimas se estendeu até o meio da manhã, quando todos foram transferidos.
Causas – Em seguida, o Nestor Piva foi interditado para vistorias da Defesa Civil e perícias do Instituto de Criminalística. Quatro peritos criminais foram enviados ao local, sendo dois engenheiros e dois físicos. O diretor do Instituto de Criminalística, Luciano Homem, explicou que a perícia da instituição está focada na identificação de elementos relativos ao incêndio. "Os peritos estão fazendo os levantamentos no local do incêndio que atingiu a Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, na manhã desta sexta-feira. Os peritos buscam a identificação da origem do incêndio e a dinâmica do que ocorreu no local", detalhou o diretor. Os Bombeiros também fizeram perícia para apurar as causas do incêndio. O relatório com o resultado será divulgado no prazo de 30 dias.
As investigações sobre o incêndio também serão acompanhadas pelo Ministério Público de Sergipe (MPSE), que enviou um ofício à Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Nele, o promotor de Direitos à Saúde, José Rony Almeida, deu 48 horas para que a secretária municipal de saúde, Waneska Barbosa, responda a sete perguntas sobre a situação dos pacientes internados, sobre as possíveis causas do incêndio, as medidas adotadas para contenção e o que poderá continuar funcionandoapós a descontaminação, entre outras questões. A PMA garante que todas as questões serão esclarecidas.
A Prefeitura diz ainda que já começou a trabalhar na recuperação do Nestor Piva para o atendimento ao público, em conjunto com a empresa Centro Médico do Trabalhador, que administra a unidade. As secretarias municipais de Saúde e da Assistência Social fizeram uma força-tarefa para prestar atendimento aos pacientes, familiares e profissionais que estavam no Nestor Piva no momento do incêndio."Uma equipe está trabalhando para dar informações sobre os pacientes e para acolher as famílias dos pacientes que foram a óbito. A Rede de Atenção Psicossocial, em parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplog), montou uma estratégia de atendimento para todos aqueles que estavam no local no momento do incêndio e que ficaram abalados psicologicamente com essa tragédia", detalha Waneska.
O prefeito Edvaldo Nogueira acompanhou os trabalhos desde o início.

