Inspeção constata falta de médicos e remédios em postos de Aracaju

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Técnicos do Conselho Municipal de Saúde de Aracaju voltaram a fiscalizar unidades de pronto atendimento que, segundo a comissão de fiscalização, estariam apresentando uma série de irregularidades e problemas recorrentes que podem prejudicar a saúde do usuário do SUS. Paralelo aos problemas estruturais e falta de amplas condições de trabalho na UPA Nestor Piva, na Zona Norte, e maternidade Santa Isabel, os técnicos identificaram uma constante irregularidade funcional promovida pelos próprios servidores. Indícios apontam má vontade de um grupo de ‘profissionais’ no momento em que atendem um paciente. Durante a visita os populares que aguardavam atendimento se queixavam da demora e desatenção por parte dos atendentes e seguranças.

O secretário municipal de saúde Alvimar Rodrigues de Moura também acompanhou a equipe do conselho e em diálogo com os aracajuanos teve a oportunidade de conferir pessoalmente a veracidade das denúncias diárias. Apesar das críticas dos usuários do Sistema Único de Saúde, e da coesão dos fatos, o administrador em entrevista disse ter conhecimento das situações de risco para a saúde dos pacientes, mas avaliou um progresso nas duas unidades se comparado com a mesma vistoria realizada na primeira semana de março. Na ocasião estavam reunidos técnicos do Conselho Regional de Medicina, Conselho Regional de Enfermagem, promotores do Ministério Público Estadual (MPE) e gestores da própria Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
"Aqui na UPA Nestor Piva já podemos ver uma situação mais organizada do que víamos antes, embora existam pontos importantes a melhorar. Nossa visita técnica foi mais uma oportunidade da equipe administrativa acompanhar o andamento das medidas já priorizadas para que o serviço possa funcionar com mais organização e qualidade", declarou. Ao final da vistoria mais uma vez foi registrada a ausência de medicamentos a serem utilizados nos serviços de pronto atendimento, falta de compatibilidade funcional por parte dos atendentes, fator esse que contribui para o atraso nos atendimentos. Conforme enaltecido pelo conselho, falta medicamento para dor, antibióticos e seringas para aplicar insulina. Foi identificada também a ausência de copos descartáveis normalmente utilizados para servir o medicamento.

Ainda de acordo com o secretário o processo de compra emergencial de medicações para abastecer as Unidades de Pronto Atendimento, bem como vem sendo firmados acordos com prestadores e audiências no Ministério Público para garantir a oferta de serviços como, por exemplo, Raio X e demais exames indispensáveis. Alvimar também reforçou o trabalho de fiscalização interna no que diz respeito a pontualidade dos funcionários. "Temos planejado ações, fiscalizado diariamente e verificando inclusive detalhes relacionados à folha de ponto dos profissionais, além de conferirmos os plantões dos médicos para combater defasagem nas escalas", pontuou. Independente das novas promessas de melhorias na saúde do município, a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Roseane Patrício disse que a situação permanece ‘esdrúxula’.

Para Roseane, é preciso que a administração pública viabilize melhorias em caráter de emergência em todos os setores das unidades visitadas na manhã de ontem. Na UTI pediátrica da Maternidade Santa Isabel foram encontradas várias infiltrações e banheiras enferrujadas. Por falta de convênio firmado junto a Prefeitura de Aracaju, a Unidade de Terapia Intensiva permanece fechada. "Nos surpreende cada vez mais a situação da saúde em Aracaju. Os problemas parecem se agravar e os pacientes, além de enfrentar a estrutura já ruim, são obrigados a passar horas esperando um atendimento por falta de competência de alguns servidores. É preciso uma melhoria imediata tanto no Nestor Piva, quanto na maternidade", afirmou.

Pacientes – Para muitos aracajuanos que aguardavam um atendimento no momento da vistoria, a presença dos técnicos foi avaliada como uma oportunidade de relatar os descasos. Esse foi o caso do eletricista Fabrício Santos Reis que esteve no Nestor Piva pela segunda vez em menos de uma semana a fim de buscar atendimento para a filha de apenas cinco anos. Sem boas expectativas de progresso, o denunciante disse ‘apelar’ para farmacêuticos que vendem medicamentos sem prescrição médica. "Muitos deles trabalham na área há vários anos e tem condições de me passar remédios que minimizam a dor. Ao menos é mais rápido que aqui. Até os próprios funcionários daqui sabem que o Nestor Piva é uma bomba", declarou.

Com o objetivo de oficializar o resultado da vistoria, hoje o Conselho Municipal de Saúde vai apresentar um dossiê contendo imagens e relatos dos técnicos e denunciantes durante plenária a ser realizada a partir das 9h, na capital sergipana. Este mesmo documento será encaminhado para o gabinete do secretário Alvimar Rodrigues de Moura.

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