INTERVENÇÃO MILITAR: SÉRIO ISSO?

Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Bem completou uma semana das eleições do segundo turno no Brasil, que consagrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para seu terceiro mandato presidencial da história, todos conseguidos democraticamente, sendo uma reeleição da primeira para a segunda oportunidade, e uma horda de inconformados com o resultado, para não dizer fanáticos e, segundo a Justiça Eleitoral, criminosos, saem às ruas e estradas do país para serem “protagonistas” de acontecimentos no mínimo bizarros.
Comecemos pelas “manifestações” de motoristas, caminhoneiros e motoqueiros, fechando, desde as primeiras horas da noite de domingo, 30, as principais vias estaduais e federais do Brasil, provocando uma crise e um desabastecimento em várias áreas da economia brasileira, ao sabor do silêncio ensurdecedor do presidente derrotado, que só dirigiu uma palavra (de dois minutos) à nação, de modo particular aos seus eleitores, quase dois dias depois da eleição de seu desafeto.
Até o fechamento dessa matéria, agora já devidamente tratados de criminosos, já eles começavam a deixar os locais de bloqueios, sob ordem do Supremo Tribunal Federal depois de inúmeras reclamações, de vários setores, inclusive daqueles que apoiaram o presidente derrotado nas urnas eletrônicas, com uma boa votação, é claro, mas sem o índice necessário para seguir adiante.
A nota triste e lamentável, nisso tudo, é a ação ou inação da Polícia Rodoviária Federal tanto na tentativa de coibir o direito de ir e vir e também de votar de pessoas, sobretudo do Nordeste, no dia 30, e depois a inércia e complacência em relação aos “revoltosos” dos dias que se seguiram. Seria uma injustiça colocar todos da PRF na vala comum, quando sabemos que existem pessoas dedicadas e honestas na corporação, mas depois do assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, em Umbaúba-SE, numa operação desastrosa, tudo que a instituição menos precisava era de novos erros que estão acabando com a sua imagem.
Em meio a tudo isso, outra horda procurava ocupar alguns lugares das cidades, sobretudo das capitais, e em frente a lugares como Quartéis de Polícia, a pedirem intervenção militar no Brasil. A primeira pergunta que salta logo é a seguinte: porque agora, depois que Lula foi eleito? E se fosse o presidente derrotado, ficaria tudo certo né? Seria democracia? Mas a vitória de Lula, não: foi fraude nas urnas, manobra do Supremo e toda uma série de justificativas as mais absurdas e sem pé e nem cabeça possíveis.
Em Santa Catarina, durante a execução do Hino Nacional Brasileiro, um grupo considerável de pessoas fazia saudação nazista, revestidas da Bandeira Nacional. Só acreditei porque vi e confesso que lamentei muito. Custo a acreditar que muitos não têm noção do que fazem e temo em me certificar que saibam e tenham feito de caso pensado, “conscientemente”. Nunca é demais lembrar que a apologia ao nazismo no Brasil é crime. Portanto, durante a semana, não vimos pessoas de bem, tementes a Deus, à pátria e de família se manifestando “pacificamente”, com os métodos da esquerda, como diz a narrativa do presidente derrotado. Mas, em sua grande maioria, criminosos praticando crimes contra a Constituição.
Sabem o que é mais triste nisso tudo, para além do gado alienado solto na rua em bando, cuja maioria nem sabe o que é intervenção militar ou nazismo? É ver pessoas como a atriz Cássia Kis fazer declarações homofóbicas e protagonizar uma cena num mínimo hipócrita, empunhando um terço na mão e rezando com os golpistas, repetindo uma imagem que circula na internet, de uma outra “senhorinha”, da mesma forma, na “passeata” Deus, pátria e família de 1964, que instituiu uma Ditadura, via intervenção militar, que durou até 1985. Têm certeza que querem esse pesadelo de volta?
Outra nota muito triste que eu não gostaria de deixar de comentar e, nesse sentido, tiro meu chapéu para o tino jornalístico de Jozailton Lima, no portal JL do dia 2 de novembro de 2022, em que questiona as verdadeiras intenções de um conhecido dono de uma faculdade particular em Sergipe, participando de uma dessas manifestações golpistas em frente ao 28º Batalhão de Caçadores, em Aracaju, naquele mesmo dia. Ao contrário de Jozailton, vou não citar seu nome, pois ainda resta em mim um pouco (para não dizer mínimo) de respeito por este cidadão, que, em nome de sua bela história de vida, ao menos precisa se retratar e dizer se realmente embarca nessa onda absurda de intervenção militar, quando a democracia disse domingo, em aSe meu confrade na Academia Sergipana de Letras tem memória curta, coisa que nem eu e nem os sergipanos têm, é que nos governos de Lula e Dilma, esse tipo de gente fez fortuna com o dinheiro do PROUNI e com outras verbas que foram destinadas às instituições de Ensino Superior particulares para garantir aos jovens e adultos brasileiros mais oportunidades de estudo para além das que a rede pública oferecia. Tal foi minha reação quando vi a foto do magnífico reitor e imortal, em meio aos golpistas: “sério isso?”

Se meu confrade na Academia Sergipana de Letras tem memória curta, coisa que nem eu e nem os sergipanos têm, é que nos governos de Lula e Dilma, esse tipo de gente fez fortuna com o dinheiro do PROUNI

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