Milton Alves Júnior
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Com aval do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, a Prefeitura de Aracaju dará início logo nas primeiras horas de hoje ao trabalho de reintegração de posse de uma praça que fica no bairro 17 de Março e que há pouco mais de quatro meses foi invadida por 311 famílias. Cientes da determinação, alguns moradores se anteciparam e na manhã de ontem invadiram o Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da administração municipal. Durante a entrada truculenta dos manifestantes, a Associação de Moradores do ‘Novo Amanhecer’ informou que o prefeito João Alves Filho (DEM) desde que assumiu o cargo deixou de conversar e prometer melhorias para as famílias.
Durante a reintegração de posse que ocorreu no final de março, a Secretaria Municipal de Ação Social garantiu que um auxílio moradia seria repassado para as famílias até que novos conjuntos populares sejam devidamente construídos. Apesar da promessa, os manifestantes criticam a prefeitura por não terem efetuado nenhum repasse financeiro até à tarde de ontem. Para a moradora Marília da Glória, uma possível falta de compromisso por parte do prefeito contribuiu para que a mobilização fosse esquematizada. "Fomos enganados durante a campanha, e agora mais uma vez eles prometeram melhorar nossa vida e até agora, nada. Ocupamos o prédio e vamos fazer isso quantas vezes mais for preciso", declarou.
Protesto – Na tentativa de forçar os manifestantes a deixarem o local mais rapidamente, servidores do centro administrativo foram ordenados a interditar o acesso aos banheiros e cortaram temporariamente o fornecimento de água mineral. Crianças, idosos e gestantes que participavam do ato disseram se sentir obrigados a saírem do espaço para realizar as respectivas necessidades fisiológicas. "É um verdadeiro absurdo o que estão fazendo com todos nós. É desse jeito que João é a solução para os problemas de Aracaju? Falavam tanto do ex-prefeito e agora estão fazendo pior com o povo dessa cidade. Vamos continuar resistindo e pedindo melhorias", afirmou o catador de ferro, Givanildo dos Santos.
Acompanhado toda a mobilização, agentes da Guarda Municipal foram convocados a fim de evitar que o patrimônio público fosse deteriorado e que os manifestantes invadissem as secretarias e gabinetes do prefeito e vice. De acordo com o coronel Enilson Aragão, comandante geral da GMA, nenhuma ocorrência de vandalismo foi registrada até o momento em que os invasores decidiram deixar o local. "Foi feito um acordo entre os manifestantes e gestores municipais, e todos os ocupantes deixaram a prefeitura de forma ordeira e sem causar maiores transtornos para os agentes de segurança. Todo o trabalho felizmente foi pacífico", disse. Aproximadamente 30 agentes participaram da ação.
Para o dia de hoje, a perspectiva é que o trabalho de reintegração de posse seja iniciado a partir das 6h. Além dos agentes da GMA, equipes de diversos grupamentos da Polícia Militar do Estado de Sergipe foram requisitadas para dar suporte ao serviço. Entre os efetivos estão homens da Tropa de Choque, Rádio Patrulha e Grupamento Tático Aéreo (GTA). "A Guarda Municipal foi solicitada pela prefeitura e nós iremos trabalhar conforme nossa missão. Esperamos que os moradores possam se conscientizar da determinação e ao menos colaborem conosco. Vamos nos deslocar até a invasão com o propósito de atuar sem nenhum tipo de força militar", concluiu o comandante.
"Fácil, não é, pedir para que o povo deixe as casas assim, sem nenhum outro lugar pra morar. Se a gente sair daqui vamos para onde?", indagou a moradora Lurdes Rosário de Santana. Questionada quanto a perspectiva para o trabalho de reintegração que deve ocorrer durante todo o dia de hoje, ela respondeu: "Esperança de boa coisa nós não temos. As famílias já foram expulsas uma vez e agora serão outra vez. Está mais que na cara que a prefeitura não quer ajudar a gente e deseja que a gente vá para outros municípios como Socorro e Barra dos Coqueiros".
Sem nenhum tipo de saneamento básico, a atual praça ocupada também é ponto de proliferação de ratazanas, mosquitos e serpentes. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Ação Social, ficou decidido que um novo levantamento técnico será realizado em até 60 dias. A meta é conceder o auxílio moradia para famílias que atendam integralmente os requisitos exigidos pela constituição brasileira.


