Gabriel Damásio
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O coronel Maurício Iunes falou ontem de manhã, pela primeira vez, sobre os rumores de sua possível saída do cargo de comandante-geral da Polícia Militar. Ou melhor, falou pouco. Durante a coletiva de imprensa que divulgou o balanço do policiamento do carnaval, Iunes criticou as especulações sobre seu pedido de demissão ao Palácio de Despachos, que surgiram com força nas últimas duas semanas, com a revelação de um atrito existente entre ele e o secretário da Segurança Pública, Mendonça Prado. Ao ser questionado sobre a crise, no entanto, o coronel deixou claro que só vai se manifestar após o pronunciamento oficial do governador Jackson Barreto (PMDB), a quem se declarou "subordinado".
"Com relação a essa situação, eu me reservo ao direito de não fazer comentário algum, até porque eu sou um soldado, e como um bom soldado, eu tenho um chefe que se chama Jackson Barreto, o comandante-em-chefe da briosa Polícia Militar. Nós temos que cumprir o que a nossa legislação determina: aguardar o chefe falar", disse Iunes. Curiosamente, este foi o mesmo tom do pronunciamento dado por Mendonça Prado ao falar sobre o assunto, em 25 de janeiro, logo no início da crise. "Cargo de comandante é uma nomeação feita pelo governador do Estado. Portanto, não cabe a mim neste momento, em função desta crise, dizer sobre o posicionamento lá do comandante", disse o secretário na ocasião.
Sobre os possíveis problemas de relacionamento, Iunes negou ter qualquer questão com Mendonça e até fez uma ironia. "Pra mim, [o relacionamento com o secretário] sempre foi bom. Nunca tive problemas com ninguém. As pessoas com quem eu tenho problemas são as que estão à margem da lei, e este não é o caso. Até porque, quando eu tenho problema com alguém, essa pessoa está presa. Não tenho nenhum problema com ninguém, sou um técnico da área de segurança pública e meu compromisso é com a sociedade", afirmou o comandante.
O coronel classificou como "boatos" as especulações em torno de sua saída e incluiu a imprensa em sua crítica. "Acho que nós temos que ser profissionais e aguardar as definições. Até porque os boatos causam um péssimo exemplo pra população. Nós como profissionais, tanto da área de segurança quanto da área de jornalismo, não devemos divulgar e nem levar boatos. Nós não somos adivinhos. O Comando não falou disso antes, não fala agora e só vai falar quando após o pronunciamento oficial", disparou Iunes.
A definição do governador Jackson Barreto sobre as mudanças na Secretaria da Segurança Pública (SSP) pode ser anunciada nesta semana, após o termino de sua folga de Carnaval. Na semana passada, Jackson admitiu que deve substituir Mendonça na pasta e permitir que seu substituto indique os comandantes da PM e dos outros órgãos de segurança. Com isso, aumenta a possibilidade de que Iunes permaneça em seu posto, o que vem sendo defendido por boa parte da tropa. Os coronéis Jackson do Nascimento (subcomandante geral) e Luiz Azevedo Costa Neto (comandante de Policiamento da Capital) também são cotados para o cargo.


