Jackson vai processar autores de vídeos contra Belivaldo

Gabriel Damásio

 

O governador Jackson Barreto (PMDB) decidiu processar e denunciar à Polícia Civil os autores de vídeos que circularam em redes sociais da internet com ataques ao vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB). Segundo informações confirmadas ao JORNAL DO DIA, duas queixas-crimes foram movidas pelos advogados do governador junto à Delegacia de Defraudações e Crimes Cibernéticos (DDCC), relatando a prática de crimes de injúria, calúnia e difamação. Eles também conseguiram, junto às operadoras de telefonia, dados e registros de pessoas que, além de terem produzido os vídeos, os repassaram na internet, principalmente em grupos do aplicativo Whatsapp. 

A reportagem apurou, com fontes do governo, que pelo menos duas pessoas foram identificadas como responsáveis pela confecção das gravações e estas foram convocadas para comparecer à delegacia na próxima terça-feira, dentro de um inquérito policial já instaurado para investigar o caso. Em texto divulgado igualmente nas redes sociais, durante o feriado, o governo atribuiu a responsabilidade dos vídeos a “pessoas ligadas a um certo setor da oposição” e garantiu que eles já foram identificados. “O governador lamenta que essas pessoas da oposição, que todos sabem quem são, escondam-se no anonimato e utilizem-se de terceiros para macular sua imagem”, afirma a nota.

O JORNAL DO DIA teve acesso a um destes vídeos contrários a Belivaldo, postado poucos dias após a confirmação de que ele será o pré-candidato do PMDB ao governo estadual nas eleições de 2018. Ao som da música ‘El Arbi’, do cantor argelino Khaled, a gravação chama o vice-governador de “marajá de Sergipe” e o mostra vestido como um sultão árabe, já que a palavra ‘marajá’ refere-se a antigos reis muçulmanos que governavam regiões do Oriente Médio. A todo tempo, o vídeo acusa o pré-candidato de ganhar R$ 70 mil mensais referentes a duas aposentadorias: uma pelo cargo de defensor público, no qual ingressou atuou entre em 1982, e outra pelos mandatos de deputado estadual, exercidos entre 1990 e 2006.

O vídeo faz ainda outros ataques a Jackson, retratado em tom de piada pelos autores como uma odalisca que dança após sair de uma lâmpada mágica. “Ele [Belivaldo] será apoiado pelo gênio da lâmpada JB, que esfregou a lâmpada e sumiu com a delegacia que investiga corruptos”, diz a gravação, referindo-se à decisão recente da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de substituir a direção do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), da Polícia Civil. Uma foto da unidade aparece ainda na gravação, encoberta por uma fumaça rosa.

As acusações provocaram revolta dentro do governo e intensos debates nas redes sociais, o que fez Jackson acionar seus advogados e seu secretário de Comunicação, José Sales Neto, a procurarem a polícia e divulgarem a nota que rebate as gravações anônimas. “Deixa claro que seu governo não possui nenhuma mácula em relação a deslizes éticos e que as acusações e insinuações contidas nestes vídeos possuem o tamanho da baixeza desses políticos e seus assessores”, afirma o texto,

A nota conclui que as investigações da Polícia Civil “irão responsabilizar judicialmente os autores da produção dos vídeos e também aqueles que os espalharam nas redes sociais”, assim que forem identificados. Pelo que está previsto atualmente no Código Penal, os crimes de calúnia, injúria e difamação podem ser punidos com pagamento de multa e até quatro anos de prisão, geralmente convertidos em penas de prestação de serviço à comunidade. Há ainda a possibilidade de que os autores das gravações tenham que pagar pesadas indenizações por danos morais. 

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