João Alves não negocia e greve de servidores da Saúde continua

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Todas as unidades de atendimento à família administradas pela Prefeitura de Aracaju seguem com efetivo de apenas 30% da capacidade funcional. A greve dos servidores da saúde que completa hoje 31 dias segue por tempo indeterminado devido à falta de reajuste salarial, pagamento no mês vigente, pagamento das horas extras, terceirização dos serviços e precariedade das estruturas. Todas essas reivindicações já são de conhecimento da administração municipal desde o ano passado, mas na última quinta-feira o prefeito João Alves Filho disse desconhecer do pleito e destacou o movimento grevista como ‘imprudente’, em especial, por parte da categoria médica.
Sem se manifestar quanto aos motivos que ocasionaram na aprovação do reajuste salarial para todos os servidores municipais – com exceção dos funcionários da saúde pública, o prefeito preferiu comparar as esferas Estadual e Municipal ao destacar que os médicos são melhores remunerados na PMA. Aparentemente incomodado com o assunto abordado, João Alves voltou a criticar os funcionários e informou que tem concedido ‘uma série de benefícios’ para a classe trabalhadora. No entanto, não citou nenhum deles e essa postura contribuiu para inflamar ainda mais a relação Prefeitura de Aracaju X classe trabalhadora.
Sem analisar nenhum sinal de mudança na atual conjuntura administrativa, sindicalistas representando 10 categorias promoveram na manhã de ontem mais um ato público em frente ao Centro Administrativo Aloísio Campos. A perspectiva é que o movimento continue geral até que as reivindicações sejam atendidas. De acordo com o Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), é necessário que o prefeito seja íntegro e verdadeiro nas palavras para que o diálogo possa ser realizado na mais perfeita ordem. Os grevistas garante que nenhum benefício foi atribuído às categorias desde 01 de janeiro de 2013, quando João Alves assumiu o atual mandato.
"O Sindimed exige mais respeito de João e qualquer prefeito, e diz que deu benefícios trabalhistas aos médicos, mas não deu. Exigimos respeito em relação ao reajuste e ao pagamento em dia. O que mudou das gestões anteriores é que agora infelizmente os servidores não podem mais fazer conta com o salário porque não sabem que dia será pago", lamentou Carlos Spina, secretário geral do Sindimed. No mês de janeiro deste ano o salário da saúde só foi depositado em conta corrente no dia 21. A promessa feita pela gestão municipal em março era de pagamento dentro do mês até o último dia útil a partir de abril. O salário de abril foi pago no dia 09 de maio, e o de maio só foi pago no dia 12 de junho.
Enquanto isso os funcionários continuam de braços cruzados à espera de uma contraproposta que satisfaça as categorias. Apesar das expectativas, diretora do Sindicato dos Enfermeiros, Gabriela Pereira, acrescenta que desconhece os motivos que estão levando a prefeitura a não cumprir com o reajuste para os profissionais da saúde. Apesar da expectativa, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog) comunicou que não há novidades em relação ao reajuste e não irá se manifestar com detalhes quanto ao pleito. Enquanto isso, cerca de quatro mil consultas diárias deixam de ser ofertadas aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para a enfermeira Gabriela Pereira, é inadmissível que o prefeito João Alves continue tentando passar para a população a imagem de negligência por parte de centenas de profissionais. Para a sindicalista, enquanto a atual gestão se mantiver sem promover reuniões coletivas todos os serviços irão permanecer suspensos. "Agora estão até fazendo contratação terceirizada para cumprir nossas funções. João é capaz de contratar terceirizados, realizar Forró Caju, conceder reajuste para todo mundo menos pra nós da saúde. Se continuar assim, prefeito João Alves, a greve não vai parar", avisou.

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