João Augusto Gama depõe na Comissão Estadual da Verdade

A Comissão Estadual da Verdade "Paulo Barbosa de Araújo" iniciou na segunda-feira, 18, mais uma etapa das oitivas de vítimas da Ditadura Militar, implantada no país através do golpe de 1964. No primeiro dia, a audiência pública contou com o testemunho do secretário de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, João Augusto Gama da Silva. Ontem foi ouvido, no auditório do Museu da Gente Sergipana, Faustino Alves Menezes, e hoje será a vez de Francisco Carlos do Nascimento Varella.

João Augusto Gama, que foi presidente do Diretório Central da Universidade Federal de Sergipe na década de 60, além de ter militado no movimento secundarista, sendo preso durante o Congresso da União Nacional de Estudantes em Ibiúna (68), expôs à Comissão relatos desse período, que classificou como crítico e doloroso.
"No dia 12 de outubro de 68, o Congresso de Ibiúna cai e todos fomos remetidos para São Paulo, onde permanecemos durante 10 ou 12 dias. Depois, retornamos para Sergipe, sempre com ameaças de sermos ouvidos, de sermos infortunados pelos órgãos da repressão, até que fui avisado pelo coronel Fontes Lima que seria ouvido na Polícia Federal. Mas os assuntos se precipitaram e em 13 de dezembro, quando foi editado o Ato Institucional nº 5, eu e meus companheiros fomos presos e passamos a ter outro processo acumulado com o processo de Ibiúna. Passamos exatamente 35 dias presos e, só no início de 1969, fomos liberados", revelou.

De acordo com o secretário, é só a partir do recolhimento dos fatos ocorridos nos "anos de chumbo" que eles podem se tornar acessíveis para a população. "Se não houver uma divulgação, se esses fatos não se tornarem conhecidos pela população, principalmente pelas novas gerações, quem sabe se não haverá uma repetição? A Comissão da Verdade tem um trabalho importante na divulgação de todos esses fatos ocorridos, principalmente quando tivemos um período doloroso com a Operação Cajueiro em Sergipe", pontuou Gama.

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