Jovem morreu sob efeito de nova droga sintética, diz perícia

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou ontem o resultado de um exame que pode identificar a causa da morte de Carlos Henrique Santana Oliveira, 32 anos, ocorrida em 15 de julho deste ano, durante uma festa eletrônica no Bairro Mosqueiro (zona de expansão de Aracaju). O teste, feito pelo Instituto de Criminalística em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp),analisou amostras de sangue retiradas da vítima e descobriu a n-etilpentilona, uma droga sintética que entrou recentemente na lista de substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A morte de Carlos Henrique já vinha sendo investigada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que além de pedir o resultado do exame da Unicamp, vai esperar pelo laudo de necropsia feito pelo Instituto Médico-Legal (IML) no corpo do jovem. Os médicos que fizeram o laudo inicial já apontavam o uso de um psicotrópico como a possível causa da morte. Agora, a polícia quer descobrir como esta droga chegou a Aracaju e quem foi o responsável por repassá-la à vítima.

"Essa substância não era proibida no Brasil até março deste ano, quando a Anvisa atualizou a portaria 344. É uma substância que está circulando não só aqui, mas em diversos estados do Brasil. Levamos uma amostra de sangue da vítima para a Unicamp. Lá o professor José Luiz Costa se colocou à disposição para nos ajudar, para que nós pudéssemos fazer essa análise lá, então levamos o material para o laboratório de toxicologia do Hospital das Clínicas da Unicamp e a partir daí identificamos uma substância chamada n-etilpentilona. Foi a única substância ilícita que encontramos na mostra de sangue e que, possivelmente, produziu a intoxicação e foi um dos fatores que levou à morte", relatou o perito Ricardo Leal, da SSP/SE.

De acordo com a literatura científica, a substância causa euforia, agitação, aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. Segundo os relatos acompanhados pelo perito da SSP, ela tem uma potência maior que o ecstasy, o que pode contribuir para a morte do usuário. "Segundo relato da doutora Mônica Santana, que é a perita médica legal que realizou a necropsia, pode ser um fator que contribua para a morte. Ele foi intoxicado por essa substância. Então podemos afirmar é que consumo dessa droga contribuiu sim para a morte dele", explicou Leal, destacando que este pode ser o primeiro caso de morte causada pela nova substância no Brasil – e o segundo em todo o mundo. 

"Nós não temos nenhum outro registro relacionado a essa droga como sendo um fator de influência para morte de alguém, até por ser uma droga sintética relativamente nova. Outro registro de morte possivelmente provocado por essa droga foi nos Estados Unidos, no qual encontramos em um artigo científico no início deste ano. Essa inclusive foi a mais consumida no primeiro semestre nos Estados Unidos. Infelizmente acabamos identificando a presença dessa droga em um caso com vítima fatal, mas sempre estamos alertando para que as pessoas não consumam drogas porque ocorreu com essa, mas novas drogas sintéticas sempre aparecem e infelizmente outras pessoas também poderão morrer caso consumam essas substâncias", destacou o perito.

Ricardo aponta ainda que infelizmente o tráfico de drogas tem sido intensificado a cada dia. Ele comenta também que visivelmente não é possível identificar quais substâncias estão em uma amostra de droga sintética, apenas realizado uma análise química. Inclusive pode-se ter duas ou três substâncias diferentes em um único comprimido. "Identificamos essa substância no segundo semestre do ano passado em alguns comprimidos semelhantes a ecstasy e selos semelhantes a LSD, e também na forma de cristais. Essas drogas são produzidas principalmente na China, 90% delas, e no Leste Europeu, são as informações dos relatórios da ONU. Esse tráfico geralmente acontece nos aeroportos, onde as pessoas escondem nas bagagens na maioria das vezes e trazem em pequenas quantidades, o que pode facilitar o tráfico", disse o perito.

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