Justiça decreta ilegalidade da greve dos servidores da Saúde

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

A greve dos trabalhadores da saúde aracajuana completa hoje 69 dias e segundo a categoria não existe prazo para acabar. Dos servidores da área de saúde, apenas os enfermeiros voltaram ao trabalho. Assistentes sociais, auxiliares e técnicos em enfermagem e os atendentes de saúde bucal continuam de braços cruzados. Apenas 30% do efetivo de servidores está em atividade. A decisão pela continuidade aconteceu na manhã de ontem, sexta-feira, em assembleia.
No final da tarde de ontem, a Procuradoria Geral do Município (PGM) divulgou que o desembargador Roberto Porto decretou a ilegalidade da greve dos técnicos e auxiliares de enfermagem e atendentes de consultório dentário.

O presidente do Sintasa, Augusto Couto, informou que não foi notificado. "Como não recebemos nenhuma notificação, a greve permanece e a mobilização na Câmara de Vereadores também", garantiu. Indignado, Couto disse que ilegal é a situação da saúde. "Ilegal é deixar a saúde do jeito que está faltando tudo. Não podemos nos manifestar mais em nada, ficamos reféns de políticos que não tem compromisso", reclamou.
A procuradora que cuidou da ação, Maira Barbosa, integrante da Procuradoria Administrativa e Trabalhista (PAT) disse que o principal motivador foi a vontade de garantir o direito do cidadão aracajuano. "Diante da campanha de vacinação, a população tem que ter o suporte dos técnicos e auxiliares de enfermagem nos postos de saúde. O sindicato ainda precisa ser notificado oficialmente com relação a essa suspensão, no entanto, eles faltariam com o bom senso se não acatassem esse pedido judicial".

Manifestação – Segundo Augusto Couto, também ficou definido no encontro que na terça-feira, 29, às 7h30, na Câmara de Vereadores de Aracaju, os servidores vão realizar ato e solicitar mais uma vez a ajuda dos vereadores. "Vamos visitá-los novamente e pedir para que façam uma intermediação com a gestão municipal, pois ainda não houve contraproposta do município".  

No tocante à vacinação contra a gripe que iniciou dia 22 de abril e hoje, sábado, acontece o Dia D, onde 28 locais estarão vacinando, o sindicalista disse que não haverá servidor extra. "Não fomos notificados, no entanto existe uma pressão para que a categoria vá trabalhar no dia da vacinação, inclusive com ameaça de abertura de processo administrativo. Não somos contra a campanha, no entanto não existe um canal de negociação, pois se houvesse, íamos negociar a presença de mais trabalhadores na campanha de vacinação", assegurou.

Estrutura – O sindicalista reclamou da falta de estrutura das unidades de saúde. "Não existe material, medicamentos e estrutura para que os profissionais possam trabalhar. Continuamos lutando pelo reajuste salarial. São tantos os problemas, que os funcionários que continuam trabalhando pedem para participar da greve, pois eles não têm como atender a população e por isso têm medo de agressões".
Para Couto, por falta de uma boa gestão e fiscalização a saúde está um caos. "Aracaju proporcionalmente ao quantitativo populacional é a capital que mais recebe verba federal para investir na Saúde. São R$ 31 milhões recebidos mensalmente, o equivalente a R$ 1 milhão por dia, o suficiente para manter bem o funcionamento do setor. Como a saúde está de mal a pior existe alguma coisa errada, então cadê o Ministério Público de Sergipe para investigar o destino desses recursos?", questiona.

Sobre Organizações Sociais (OSs) que se forem implantadas servirá para gerenciar as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) Nestor Piva, na Zona Norte, e Fernando Franco, na Zona Sul de Aracaju, Augusto Couto disse que não aprova. "Entendemos que a responsabilidade de assumir a saúde é do poder público, passar essa responsabilidade para terceiros é correr do problema. Para nós, população e servidores serão penalizados com a implantação das OSs, por isso somos contrários", destacou.

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