Terça, 25 De Junho De 2024
       
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Justiça ouve médicos e enfermeiros do Huse


Publicado em 12 de julho de 2012
Por Jornal Do Dia


JUÍZA OUVE TESTEMUNHAS DE ACUSAÇÃO

A audiência foi realizada na 8ª Vara Criminal

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Aconteceu ontem, sem incidentes, a primeira audiência de instrução do processo que apura a "Chacina do Huse", ocorrida em 27 de abril deste ano, quando três homens foram mortos a tiros dentro da Ala Verde do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no bairro Capucho (zona oeste). Durante cerca de seis horas, em uma sala de audiências do Fórum Gumercindo Bessa, no Capucho, a juíza Soraia Gonçalves de Melo, da 8ª Vara Criminal de Aracaju, ouviu cerca de dez testemunhas indicadas pelo Ministério Público, incluindo o diretor clínico do hospital, Marcos Rogério Kroeger, médicos e enfermeiros que estavam de plantão naquela noite.

A audiência foi encerrada por volta das 14h e a previsão é de que os depoimentos sejam retomados no próximo dia 18. Ao todo, 43 testemunhas foram arroladas pelas bancas de acusação e defesa, o que faz a Justiça prever a realização de, pelo menos, mais quatro audiências. Somente após esses depoimentos, é que serão formalmente interrogados os quatro réus do caso: o tenente PM Genilson Alves de Souza, o soldado PM Jean Alves de Souza, o guarda municipal Ginaldo Alves de Souza e o agente socioeducativo Ralph Souza Monteiro.

A denúncia do Ministério Público acusa os quatro de invadirem o hospital e executaram os pacientes Adalberto Santos Silva, 20 anos, Cledson Silva Santos, 21, e Márcio Alberto Silva Santos, 33, que aguardavam atendimento. Segundo a promotoria, isso foi feito para vingar a morte do irmão deles, o padeiro Jailson Alves de Souza, 32 anos, baleado nas costas horas antes da chacina em um tiroteio na Avenida Santa Gleide, no bairro São Carlos.

O diretor Marcio Kroeger disse que o depoimento foi tranqüilo e que procurou relatar à juíza "tudo o que se conseguiu visualizar naquela noite, de maneira real e verdadeira, como é a obrigação". Ele admitiu também que pediu ao Ministério Público para que fosse suspensa uma reconstituição da chacina marcada pela 8ª Vara para 16 de junho. "Eu não autorizei a reconstituição. Não é que eu esteja contra a Justiça, mas porque não só a direção, mas os funcionários do hospital e os pacientes iriam enfrentar sérios transtornos por se tratar de um hospital público", justificou.

Durante a audiência de ontem, foi divulgada a informação de que, ao todo, 46 tiros de pistola e revólver foram disparados dentro do hospital na hora do episódio. Os advogados de defesa Saul Schuster e Renilson Félix insistiram na tese de que nenhum destes disparos tenha saído das armas apreendidas com Jean e Genilson, baseado em exames periciais. Reafirmaram também que os pacientes mortos estariam envolvidos com o tiroteio que resultou na morte de Jailson, e que os policiais ficaram bastante abalados com a morte do irmão.
Parentes das vitimas e dos acusados estiveram no Fórum para acompanhar a audiência da chacina. Ao contrário do que se temia, não houve qualquer incidente. Os familiares de Cledson, Adalberto e Márcio ficaram todo o tempo quietos e demonstrando tristeza. Eles foram unânimes e dizer que seus parentes eram inocentes e estavam aguardando atendimento ao serem mortos. "Eu quero Justiça completamente.

Que eles paguem o que fizeram. Mataram uma pessoa inocente, não sei porque fizeram isso. Se eles entraram, foi para matar", disse a viúva de Marcio, Maria Luciana Santos Silva. "Meu irmão morreu de graça, inocente. Eu estava do lado dele há umas duas horas, pois sofreu um acidente e estava sendo submetido a uma sutura no braço. A gente já ia pra casa, quando o tenente entrou atirando", acrescentou a irmã de Márcio, Patrícia Santos.

Os PM’s Genilson e Jean permanecem presos preventivamente no Presídio Militar de Aracaju (Presmil) e aguardam julgamento de um habeas-corpus impetrado pela defesa no Tribunal de Justiça. Ralph e Ginaldo, por sual vez, estão soltos desde o dia 26 de junho, após o TJ conceder o mesmo benefício. A Justiça aguarda o termino da instrução do processo para decidir se os quatro réus serão ou não mandados para júri popular. Pela soma das três mortes, cada um deles poderá ser condenado a até 90 anos de prisão.

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