Lagarto: Katarina confirma que policial protegia quadrilha

A superintendente da Polícia Civil, delegada Katarina Feitoza, criticou duramente o envolvimento do agente de polícia João de Deus Santos, 52 anos, com a quadrilha de traficantes desbaratada pela "Operação Carcharodon", ocorrida em 7 de agosto último na cidade de Lagarto (Centro-Sul). O policial foi preso anteontem na Delegacia Regional de Itabaiana (Agreste), durante o serviço, por uma equipe da Corregedoria de Polícia Civil (Corregepol). O caso foi detalhado ontem pela superintendente, que deu detalhes da investigação e confirmou haver "provas robustas" da ligação entre João de Deus e os traficantes que agiam em Lagarto.

"Não podemos admitir (isso) de maneira nenhuma, nem na nossa gestão e nem nas anteriores. Sabemos que a Polícia Civil é formada por mulheres e homens que honram a farda e o distintivo que ostentam. Por isso é que cortamos na própria carne quando encontramos um indivíduo como esse, que não merece ser chamado de policial. Temos que agir dura e fortemente, porque o pior bandido é aquele que se traveste de polícia", dispara Katarina, ressaltando que "tradicionalmente, não há histórico de corrupção ou de bandidagem dentro da nossa polícia".

Segundo a delegada, há fortes suspeitas de que o agente teria fornecido munições de pistola calibre ponto 40 da Secretaria da Segurança Pública (SSP) aos traficantes de Lagarto. Isso porque, durante as buscas da "Carcharodon" na casa de Diego Cruz Matos, o "Dentinho", 28, apontado como chefe da quadrilha e que foi morto durante um tiroteio, os policiais civis encontraram munições com registros da SSP, além de uma pistola ponto 40 registrada no nome de João. "Ele era integrante dessa quadrilha, a gente tem a plena convicção disso. Ele tanto fazia a proteção a esses traficantes como também emprestava a arma, porque se a arma dele foi encontrada na casa do traficante, com a documentação e o registro inclusive, temos a certeza de que ele emprestava a arma", afirma ela.

Katarina diz também que outras informações mantidas em sigilo foram apuradas e confirmaram a proximidade do policial com o bando de "Dentinho". Com base no que foi apurado, o juízo da Vara Criminal de Lagarto decretou a prisão temporária de 30 dias contra João de Deus. Após sua prisão em Itabaiana, a equipe do delegado João Moreira Aragão, da Corregepol, cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do policial, em Lagarto. Lá, foram apreendidos um veículo Golf, outra arma de fogo (pertencente à SSP), documentos de outros carros, carregadores de pistola ponto 40, cheques, e uma arma branca.  

Além do agente, foram presas outras 13 pessoas ligadas à quadrilha, que segundo a polícia, tinha alto poder aquisitivo e era responsável pela distribuição de drogas em toda a região Centro-Sul do estado. A corregedora-geral de Polícia, delegada Teonice Alexandre, deve concluir o inquérito contra João de Deus nos próximos 30 dias e indiciá-lo pelos crimes de associação para o tráfico e peculato (desvio de dinheiro ou bem público). O agente permanece detido no Presídio Militar de Aracaju (Presmil). Ele pode ser condenado e expulso da Polícia Civil, onde trabalha há 26 anos. (Gabriel Damásio)

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