Leilão de bens da Bomfim arrecada cerca de R$ 14 milhões

Milton Alves Junior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Cerca de R$ 14 milhões foram arrecadados no dia de ontem após a realização de mais um leilão extraordinário do Grupo Bomfim. Realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), foram postos à venda dois terrenos – sendo um em Aracaju de posse da empresa São Pedro, e outro na cidade de Maceió, patrimônio da Viação São Cristóvão; além disso foram disponibilizados três ônibus considerados pelo poder judiciário em bom estado de uso, também da Viação São Cristóvão. De acordo com o juiz Antônio Francisco Andrade, mesmo arrecadando esse valor considerável, não será suficiente para quitar todas as dívidas trabalhistas herdadas pelo Grupo Bomfim.

No processo de ontem, apenas um dos veículos acabou não sendo arrematado. Este ônibus deve voltar a compor o leilão especial do TRT já no próximo dia 18 de dezembro, quando o poder judiciário irá promover, também, a oferta de um terreno situado em Aracaju. Conforme explicou Antônio Francisco, o imóvel estava previsto para ser leiloado ontem, mas apresentou uma irregularidade na medição do terreno e necessitou ser retirado de pauta. Caso estes dois patrimônios sejam adquiridos, a perspectiva do Tribunal do Trabalho é de quitação apenas da metade da dívida trabalhista ainda existente. O dinheiro adquirido deve ser repassado até o último dia útil de dezembro.

"A prioridade no momento do pagamento será para os ex-funcionários que deram entrada primeiro na ação jurídica, e obviamente deve receber já nessa primeira instância. Avaliamos esse leilão como um grande sucesso e esperamos que assim também seja no próximo dia 18. 30% dessa verba será imediatamente repassada para os trabalhadores ainda esse ano", enalteceu o juiz. Durante a realização do leilão, um grupo de ex-funcionários esteve reunido na entrada principal do TRT a fim de pressionar o poder judiciário e pleitear os direitos que são garantidos pela Constituição Federal. Eles afirmam permanecer com os atos públicos, assim como vêm sendo realizados de forma constante ao longo dos últimos dois anos.

Na avaliação feita pelo motorista desempregado Paulo Santos, de 42 anos, muitos trabalhadores estão peregrinando sempre que o TRT anuncia novos leilões do Grupo Bomfim. Segundo ele, essa é a única forma de alimentar a esperança de conquista dos direitos e quitar parte das dívidas acumuladas desde 2013. "Eu estou fazendo bicos para tentar ajudar a família nessa vida difícil que a gente leva. O que mais deixa a gente triste é que vivíamos honrando a farda que vestíamos da Bomfim, pra no final a gente ser tratado como um animal irracional. Não sei se entro na lista inicial de pagamento, mas estou aqui para apoiar o movimento dos meus ex-colegas de trabalho", afirmou.

Sobre o assunto, o juiz Antônio Francisco Andrade avaliou a postura da classe trabalhadora como democrática e regular. Sem nenhum tipo de conflitos ou ações de desordem pública, os profissionais buscam dialogar com os advogados e juízes envolvidos nos processos sempre com cordialidade. "Essa postura de reivindicar os direitos trabalhistas é totalmente aceitável e o Tribunal Regional do Trabalho não impede que os atos sejam articulados desde que permaneçam com o respeito de sempre. Acreditamos que estamos já próximo do fim desse processo e logo em breve iremos concluir todas as ações impetradas pelos ex-funcionários do Grupo Bomfim", pontuou o magistrado.

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