A Polícia Civil anunciou ontem a prisão de Walace Galdino da Silva Oliveira, 19 anos, apontado como líder de uma quadrilha conhecida como ‘Os Pés Embaixo’ e responsável por diversos crimes ocorridos em comunidades do bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). Ele foi detido no Condomínio Parque das Árvores, no Loteamento Marivan, ao final da tarde desta terça-feira, por agentes da 9ª Delegacia Metropolitana (9ª DM), do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb) e da 3ª Divisão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo o delegado Mário de Carvalho Leony, do DHPP, Walace é considerado de alta periculosidade e já se preparava para fugir quando foi capturado. “O suspeito já vinha sendo monitorado, conseguimos a informação de que ele estava escondido em um condomínio no Marivan, no bairro Santa Maria já pretendendo fugir. Obtivemos êxito na prisão dele na ação integrada com a 9ª DM e com o apoio do Gerb”, concluiu. Durante o cerco, Galdino não reagiu à prisão.
O acusado vinha sendo investigado desde o ano passado e foi indiciado por quatro assassinatos a tiros ocorridos na região: o de Rodrigo Barreto Santos, o ‘Da Jega’, 19, em 25 de maio deste ano no Morro do Avião; o do comerciante Reginaldo dos Santos, o ‘Regi’, 44, 25 de fevereiro na rua 26 do conjunto Padre Pedro; o de Christian Santos Soares, o ‘Cabeça’, 19 anos, em 11 de dezembro de 2016 na rua 23 do conjunto Padre Pedro; e o de Felipe dos Santos, 23, em 26 de julho de 2016, igualmente na rua 26 do conjunto Padre Pedro.
Walace ainda figura como suspeito de participação no latrocínio de um adolescente de 17 anos, em 7 de julho deste ano na rua 12 do conjunto Padre Pedro; e em outros três homicídios a tiros: o de Gilson Costa de Azevedo, 59, em 7 de junho último no povoado Pitanga, em São Cristóvão (Grande Aracaju); o de Dimas de Souza Júnior, 30, em 11 de outubro de 2016 na rua 43 do Loteamento Paraíso do Sul; e o de José Cláudio da Silva, o ‘Picolé’, 41, em 24 de agosto de 2016, na rua 28 do conjunto Padre Pedro.O suspeito conta ainda com quatro mandados de prisão preventiva pela coautoria em roubos e furtos praticados nas comunidades do bairro Santa Maria, na capital sergipana.
Os policiais atestam que Walace é um dos líderes da gangue ‘Os Pés Embaixo’, que é baseada no Loteamento Paraíso do Sul (Santa Maria) e, além dos assaltos e assassinatos, também realizava a extorsão de comerciantes estabelecidos na localidade, constrangendo-os ao pagamento dos chamados ‘pedágios’, isto é, taxas periódicas que as vítimas pagavam para não sofrerem assaltos. Apurou-se que este foi o motivo do assassinato de Reginaldo dos Santos, que morreu no Sábado de Carnaval, após ter se recusado a pagar o ‘pedágio’ ao grupo.No caso dos homicídios, os crimes foram cometidos por Galdino e seus comparsas com o objetivo de assegurar o controle do ponto de venda de drogas no bairro Santa Maria.
De acordo com o delegado Gilberto Guimarães, da 9ª DM, as características de ação do líder da quadrilha o caracterizam como um elemento de alta periculosidade. “Embora com pouca idade, Walace é um criminoso violento, que praticava crimes com requinte de crueldade e que por conta do histórico de crimes dele podemos considerá-lo de alta periculosidade”, pontuou, explicando que a prisão aconteceu sem oferecer qualquer possibilidade de fuga.
“Sabendo da informação de que o suspeito pretendia fugir, montamos uma operação policial na qual estavam presentes policiais da 9ªDM, os policiais da 3ª Divisão do DHPP e do Gerb. No momento em que tivemos a oportunidade de executar a ação sem que tivesse a possibilidade de um confronto isso foi um fator determinante. A ação do Gerb foi técnica e bastante efetiva no sentido de executar a prisão sem fuga e sem reação, sendo posteriormente conduzido à delegacia onde foi interrogado”, comentou Gilberto.
Segundo as investigações, antes de se tornar líder no referido grupo, Walace teria cometido alguns roubos a residências na região do Paraíso do Sul, onde a principal característica dos crimes era a forma violenta de agir, tomando todos os pertences das vítimas e obrigando as famílias a deixarem suas residências para que os locais se tornassem uma espécie de base para a quadrilha.
O delegado Mário Leony esclarece ainda que o auxílio da população é muito importante. “Agradecemos muito a confiança da comunidade em nosso trabalho e pedimos que os cidadãos continuem a realizar denúncias por meio do Disque Denúncia 181 da Polícia Civil. Vale lembrar que o cidadão pode ficar tranquilo, porque o sigilo do denunciante é garantido”, finalizou.


