Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Passou em brancas
nuvens o festival
Lula Livre realizado segunda-feira, em Aracaju. Nos veículos de imprensa, nem a mais breve menção. Nas bolhas progressistas das redes sociais, sempre infladas de boas intenções, nenhuma hashtag. Aparentemente, a instrumentalização política da Cultura já rendeu tudo o quanto podia às margens do Rio Sergipe.
Só o tempo dirá se o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores restará consagrado pelo voto popular e as urnas eleitorais, em outubro. De certo, a ferida aberta nas relações da brava gente, obra e graça de um embate ideológico o mais controverso, para afirmar o mínimo.
Eu vi com os meus dois olhos, que a terra há de comer um dia. Artistas cobraram a filiação de colegas artistas, sob a ameaça velada de excomunhão. "O momento exige posicionamento", eles diziam, exaltados, a face deformada em caretas abomináveis. E ai de quem se recusasse a encampar o discurso hegemônico do "golpe", ocupado com as exigências formais, a sensibilidade peculiar e o enunciado do próprio trabalho.
No macarthismo às avessas de Terra Brasilis, o traidor podia ser qualquer um. Amigos, amantes e familiares, eram todos suspeitos. Para se livrar da pecha "golpista" (sempre entre aspas), era preciso exibir olheiras profundas e os pelos encrespados, repetir palavras de ordem, agitar bandeiras nas passeatas. Quanto mais democrata, mais inflamado.
Sempre lembrarei dos últimos anos com um misto de ressentimento e resignação. Desde quando o dissenso foi engolido pela política, pisoteado pelo bloco das Marias vão com as outras, a adesão e a subserviência foram tomadas por valor artístico. Nulidades jamais falaram tão grosso e tão alto. Se o fiasco do festival Lula Livre antecipar o declínio de uma propensão policialesca no ambiente criativo da aldeia Serigy, portanto, eu acho muito bem empregado.
Passou em brancas nuvens o festival Lula Livre realizado segunda-feira, em Aracaju. Nos veículos de imprensa, nem a mais breve menção. Nas bolhas progressistas das redes sociais, sempre infladas de boas intenções, nenhuma hashtag. Aparentemente, a instrumentalização política da Cultura já rendeu tudo o quanto podia às margens do Rio Sergipe.
Só o tempo dirá se o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores restará consagrado pelo voto popular e as urnas eleitorais, em outubro. De certo, a ferida aberta nas relações da brava gente, obra e graça de um embate ideológico o mais controverso, para afirmar o mínimo.
Eu vi com os meus dois olhos, que a terra há de comer um dia. Artistas cobraram a filiação de colegas artistas, sob a ameaça velada de excomunhão. "O momento exige posicionamento", eles diziam, exaltados, a face deformada em caretas abomináveis. E ai de quem se recusasse a encampar o discurso hegemônico do "golpe", ocupado com as exigências formais, a sensibilidade peculiar e o enunciado do próprio trabalho.
No macarthismo às avessas de Terra Brasilis, o traidor podia ser qualquer um. Amigos, amantes e familiares, eram todos suspeitos. Para se livrar da pecha "golpista" (sempre entre aspas), era preciso exibir olheiras profundas e os pelos encrespados, repetir palavras de ordem, agitar bandeiras nas passeatas. Quanto mais democrata, mais inflamado.
Sempre lembrarei dos últimos anos com um misto de ressentimento e resignação. Desde quando o dissenso foi engolido pela política, pisoteado pelo bloco das Marias vão com as outras, a adesão e a subserviência foram tomadas por valor artístico. Nulidades jamais falaram tão grosso e tão alto. Se o fiasco do festival Lula Livre antecipar o declínio de uma propensão policialesca no ambiente criativo da aldeia Serigy, portanto, eu acho muito bem empregado.