Mãe do governador tinha militância política

A mãe de 16 filhos saiu de Santa Rosa de Lima para Aracaju com o objetivo de oferecer oportunidades melhores para os filhos, segundo conta Jackson Barreto. "Quando minha mãe lutava para sair do interior para Aracaju, era para poder dar uma chance aos filhos e a família, pois em Santa Rosa não havia muita expectativa, existiam só canaviais. Ela tinha a visão de que para educar a família e todos tivessem independência, formação e consciência política, era necessário estar em um centro maior. Em Aracaju, morávamos em uma casa com um quarto só e dava para 11 pessoas A gente era feliz e não sabia", relatou.
De acordo com Jackson, a mãe tinha o costume de levar pessoas de Santa Rosa para sua casa, na capital. O governador ainda lembra que a mãe fazia de sua casa hospedaria e mantinha o coração sempre aberto.
A política estava na vida de Neuzice desde muito cedo. De acordo com relatos de Jackson Barreto, sua mãe participou de passeatas, campanhas das Diretas e percorreu parte do Brasil durante campanha de Tancredo Neves. Ela atuou também nas movimentações eleitorais do PSD ligadas à família do senador Leite Neto.
"Ela era vocacionada nessa área política. Eu me recordo que minha mãe me acordava às 6h para que eu ouvisse a rádio Mayrink Veiga durante a campanha eleitoral do Jânio e do Marechal Lott em 1960. Ela tinha um interesse político muito grande, e herdei minha vocação maior, fazer política, da forma e estilo de atuar e trabalhar dela", complementa Jackson.
Eliene também se recorda de como a política se fazia presente na vida dela e dos irmãos, e conta que a mãe costumava levar todos os filhos para comícios. "Ela era política ferrenha. Ficava em cima dos palanques e todo mundo a conhecia. Ela também abrigava eleitores de Jackson. Lavava a roupa do povo doente que ia para lá. Ia muita gente do interior e de todo o canto. São coisas que marcaram a gente para a vida toda", comentou.
Por fim, a filha de Neuzice lembra como era a relação da mãe e de Jackson na esfera política. "Poderia todo mundo estar almoçando, mas se Jackson não estivesse presente, ela sempre o esperava para conversar. Politicamente falando, eles eram muito próximos. Jackson herdou tudo de minha mãe, e acho que ele deu continuidade ao que ela fazia. Ele a tinha como referência, e minha mãe se orgulhava muito da vida política do filho", ressaltou.
O interesse em comum pela política entre Jackson e Neuzice também era observado pela amiga dela, Marilene. Ela conta que, quando Jackson ingressou na vida pública, Neuzice era companheira inseparável dele. A professora ainda destaca um dos momentos em que a matriarca da família Barreto expôs um grande desejo. "Lembro-me como se fosse hoje que depois que Jackson foi prefeito de Aracaju, Neuzice profetizou que um dia ele ainda seria governador do estado de Sergipe. E agora tenho certeza que, onde ela estiver, está muito feliz", finaliza.
Em janeiro, a trajetória de Dona Neuzice Barreto Lima foi lembrada pelos alunos do Instituto Luciano Barreto Júnior, que homenagearam a professora nominando com seu nome a turma de concludentes de 2014.

Centenário – Nascida em 4 de abril de 1915, em Siriri/SE, Neuzice Barreto Lima formou-se em magistério primário e tornou-se professora da rede pública municipal de Divina Pastora/SE, em 1930. Em 1950, foi lotada na rede estadual de ensino no Grupo Escolar Dr. Manoel Luiz, localizado na Praça da Bandeira, em Aracaju, onde exerceu o cargo de diretora e aposentou-se.
Casada com Etelvino Alves de Lima e mãe de 16 filhos, a professora Neuzice iniciou a militância política no velho Partido Social Democrático (PSD), militando também no MDB, depois PMDB. Ela formou várias gerações e, segundo seus familiares, deixou a lição que, para vencer na vida é preciso acreditar e perseverar.

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