Mais de 60 presos não retornam do indulto

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem cumprir a determinação judicial, 63 dos 299 detentos que foram contemplados com o indulto natalino no ano passado ainda não retornaram a penitenciária do município de Areia Branca. Eles já são considerados foragidos da justiça. Conforme informações apresentados pelo Departamento do Sistema Penitenciário de Sergipe (Desipe), o não retorno de presidiários varia entre 5% e 10%. Nos últimos seis meses, esse percentual registrou um aumento considerável. Para evitar que os condenados continuem longe das penitenciárias, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), em parceria com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejuc), montou uma estratégia que visa recapturá-los até o final da próxima semana.

O prazo de retorno dos detentos estava previsto para o último dia 27 de dezembro, mas alguns desrespeitaram a determinação e não voltaram para cumprir suas respectivas penas. De acordo com as regras do sistema, caso os foragidos sejam recapturados, eles deixarão de cumprir suas penas em regime semi-aberto, e voltarão de imediato para o regime fechado. Ao todo, o Desipe concedeu o benefício de seis dias de liberdade para os detentos.

Ainda segundo informações apresentadas pelo Departamento do Sistema Penitenciário, alguns meliantes que não retornaram para a cadeia praticaram crimes durante as festividades de final de ano e muitos nem passaram a noite de Natal em família. Para a comerciante Paula Aguiar, o indulto deveria ser mais seleto e apenas ofertado para detentos de extrema capacidade psicológica para sair. "Não sei de que maneira os administradores devem trabalhar para selecionar os ‘éticos’. O que não dá é saber que 63 marginais estão nas ruas, livres. Pra mim, é como se eles estivessem pulado o muro e fugido", declarou.

Dados – Após o final do ano, a Sejuc constatou que o estado de Sergipe encerrou o ano com 80 presos evadidos. No período da Semana Santa, por exemplo, 17 dos 72 liberados não voltaram para cumprir sua pena com o final do benefício. Na tentativa de registrar números mais satisfatórios na ultima quinzena de 2013, o benefício pode ser reduzido, e consequentemente um número menor de presidiários terá direito a saída provisória.

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