Milton Alves Júnior
A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito anunciou que, em até 30 dias, as empresas paraenses Velsis e Pekons irão instalar mais de 80 sensores em ruas e avenidas. Com base no alto índice de acidentes e vulnerabilidade de pedestres, muitas vezes possível devido à imprudência de alguns condutores automotivos, o anúncio oficial foi feito pelo prefeito João Alves Filho e gestores da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Em 2011, o então conselheiro Reinaldo Moura identificou irregularidades no serviço público e determinou a extinção dos ‘pardais’. Desta vez, o número de acidentes aponta para a importância dos aparelhos eletrônicos.
Conforme avaliação apresentada por técnicos da superintendência de trânsito, apenas 6% dos acidentes em vias expressas da capital têm como causa os problemas da própria infraestrutura da pista; 30% dos acidentes têm origem em problemas mecânicos; Foi detectado também que a maioria dos acidentes, ou seja, 64% dos sinistros têm como causa problemas dos motoristas. Devido à evolução de assaltos em semáforos ficou definido que após às 22 horas alguns radares vão desconsiderar a ultrapassagem do sinal vermelho, porém, aquele condutor que por ventura passe acima do limite de velocidade – 60 km, este será multado. Ao todo, quatro tipos de radares serão instalados em Aracaju, sendo eles: lombada, misto, de velocidade e estático. O projeto segue sem data para iniciar as fiscalizações em definitivo.
Em fase de teste previamente analisada pela SMTT, e comunicado à população local, já foi colocada uma lombada eletrônica na Avenida Maranhão, próximo ao hospital Nestor Piva; um novo aparelho que registra excesso de velocidade na Avenida Beira Mar, nas proximidades do Parque Governador Antônio Carlos Valadares – popular Parque dos Cajueiros; e um terceiro para detectar avanço de sinal e de velocidade no cruzamento das avenidas Beira Mar e Francisco Porto. Durante a realização da 85ª Reunião do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes públicos de Transporte Urbano e Trânsito, o superintendente da SMTT, Nelson Felipe, destacou que esta medida operacional vai resultar em diminuição de acidentes. A meta também é reeducar os condutores imprudentes.
"Estamos trabalhando para que esses dados negativos passem a registrar redução. A maioria da população tem nos apoiando nesse processo de estudo e não podemos mais aceitar que imprudências continuem sendo realizadas. Quem anda respeitando as leis do Código de Trânsito Brasileiro não teme essa implantação porque acredita na mudança para melhor", destacou.
Até o último dia 15, mais de 1200 acidentes envolvendo motoqueiros foram registrados na capital. Até o momento foram contabilizados três óbitos ocasionados por sinistros de trânsito. Ciente da necessidade em dialogar com os aracajuanos antes de iniciar as vistorias, Nelson Felipe garantiu que a equipe técnica responsável por este processo tem ouvido sugestões. Para ele, este é o principal detalhe para conquistar êxito no serviço.
"É preciso destacar que estamos sempre disponíveis para conversar com os motoristas e adotar ações que possam agradar a todos. Sabemos que os radares são necessários neste momento e a população já vinha nos questionando sobre quando os radares iriam voltar. Vereadores e outros profissionais da prefeitura também têm contribuído para a reinstalação dos radares", pontuou o superintendente. Entre os vereadores que apoiam a medida, está o socialista Max Prejuízo que, apesar de incentivar os gestores municipais para a implantação dos equipamentos, também solicita que fiscais do TCE possam acompanhar os trâmites administrativos. Esta medida tem como objetivo evitar que novas irregularidades causem transtornos e gastos desnecessários para o governo João.
Análises – Desde 2011, quando os equipamentos foram retirados das ruas e avenidas, todos os testes referente a novos radares acontecem sob novas suspeitas de irregularidades na licitação da SMTT. As suspeitas de irregularidades na ação de controladores eletrônicos de velocidade já causaram problemas na administração anterior da PMA. Em março de 2011, quando o prefeito ainda era Edvaldo Nogueira, o próprio TCE determinou a suspensão dos contratos firmados entre a SMTT e as empresas Splice e Eliseu Kopp, que já operavam o serviço em Aracaju. Um processo de licitação chegou a ser reaberto para a escolha de nova empresa, mas se arrastou até ser retomado por João Alves. Meses depois o processo foi arquivado.
Na mesma época, o Governo do Estado também suspendeu os contratos semelhantes para o controle de velocidade nas rodovias estaduais, movida pelas denúncias do envolvimento das empresas com fraudes em licitações de prefeituras de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

