Milton Alves Júnior
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A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) permanece em estado de alerta. Na manhã de ontem a direção geral da unidade oficializou o registro de mais sete pacientes com a bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), avaliada por infectologistas como grave e resistente. Diante da situação de alto risco que se instalou na unidade médica, os diretores, na tentativa de evitar uma possível expansão do problema, decidiram isolar imediatamente os pacientes infectados. Mesmo adotando emergenciais medidas de segurança coletiva, a perspectiva por parte da Secretaria de Estado da Saúde (SES) é que outras pessoas apresentem os mesmos sintomas até o início da tarde de hoje.
Ao analisar os fatos já confirmados, um grupo de infectologistas decidiu realizar outros exames aperfeiçoados em pacientes que aparentemente não haviam sido infectados pela bactéria que se instala rapidamente na pele. O resultado final desses diagnósticos deve ser apresentado ainda nesta manhã. De acordo com Iza Lobo, infectologista que atua há vários anos no Huse, é possível que as análises comprovem a existência da KPC em outros pacientes, mas esse risco de novas contaminações não deve gerar pânico em toda a unidade hospitalar.
A profissional garante isso em decorrência de medidas paliativas terem sido adotadas de forma emergencial desde a última quarta-feira, 03. "Estamos trabalhando para evitar que a bactéria se propague e prejudique outras pessoas que vieram até o hospital em busca de atendimento. Infelizmente essa bactéria foi detectada por nós servidores da casa e nossa missão agora é evitar a ampliação dela. O lado positivo dessa situação é que já fizemos outras 20 análises e elas deram negativas", afirmou.
Em decorrência desses registros, a direção do Huse não descarta a possibilidade de interditar por tempo indeterminado as UTIs de números 1 e 2. Atualmente, estes departamentos clínicos permanecem sem receber novos pacientes ligados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Dados mostram que, das 12 ocorrências, quatro foram notificados na UTI 1; e oito na UTI 2.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a KPC trata-se de um microrganismo que foi modificado geneticamente no ambiente hospitalar e que é resistente aos antibióticos. Os primeiros casos do microrganismo foram detectados em pacientes internados em UTI, nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, cerca de 150 pessoas já foram contaminadas com a bactéria que pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, no trato urinário, em feridas cirúrgicas, enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, muitas vezes, mortal. Crianças, idosos, pessoas debilitadas, com doenças crônicas e imunidade baixa ou submetidas a longos períodos de internação hospitalar correm risco maior de contrair esse tipo de infecção.
Sintomas – No geral, os sintomas da bactéria KPC são como o de outras infecções, tais como febre, dores na bexiga (infecção urinária), tosse (infecção respiratória). A população não deve se preocupar, uma vez que a infecção por enquanto corre apenas dentro dos hospitais, e acontece basicamente por contato com secreção ou excreção de pacientes infectados. "É preciso deixar claro que, mesmo com esses registros negativos, que a Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase é sensível a amicacina e tem tratamento. Estamos trabalhando para combatê-la e evitar novos diagnósticos positivos daqui pra frente", destacou Iza Lobo.


