Gabriel Damásio
Um grupo de 23 detentos fugiu do Pavilhão 4 do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão (Grande Aracaju), por volta das 4h de ontem. De acordo com informações confirmadas pela Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc), eles estavam em uma cela da Ala A do pavilhão e conseguiram sair de lá depois de serrarem as grades da cela. Em seguida, os internos foram até ao pátio do banho de sol e escalaram as muralhas, usando uma corda de roupas e lençóis. Ao alcançar o exterior do complexo, o grupo se embrenhou por um matagal.
A fuga foi percebida no fim da madrugada, quando moradores da região relataram à polícia que viram parte dos presos correndo pela estrada, vestidos apenas com cuecas. A direção do Copemcan determinou a recontagem dos presos. A Sejuc informou que uma grande operação de buscas pelos foragidos foi montada na região do presídio, envolvendo equipes da Polícia Militar e do Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope). Inicialmente, informou-se que 24 presos escaparam, mas, à tarde, o número foi revisto para 23. Todos eles respondem a processos por crimes qualificados, como roubo, homicídio, latrocínio e tráfico de drogas.
A assessoria da Sejuc disse ainda que uma sindicância foi aberta pela Corregedoria do órgão, a fim de apurar as circunstancias da fuga de ontem. O porta-voz do órgão, Antônio Carlos Garcia, disse que o Copemcan é dotação de um sistema de segurança planejado para evitar fugas. “Interessante é que o Copemcan tem cercas elétricas, concertinas, sensores de movimento… até um simples rato que encosta na cerca elétrica aciona um alarme, e os agentes têm por obrigação verificar o que aconteceu. Mas, infelizmente, apesar de todo esse aparato, as fugas continuam”, disse Garcia, acrescentando que as fugas no sistema também são apuradas por um inquérito da Polícia Civil.
Em cerca de duas semanas, esta foi a terceira fuga de presos ocorrida no Copemcan. A maior delas, no dia 9, resultou no escape de 34 presos que aproveitaram o horário de visita para pular os muros. O Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindipen) tem reafirmado que as fugas são provocadas pela falta de efetivo de agentes prisionais, pela falta de iluminação e estrutura das unidades, e pela superlotação do Copemcan, que está atualmente com 2.650 presos distribuídos em cinco pavilhões com capacidade para 800 presos.
No entanto, a versão é confrontada pelo Estado. Após a fuga do dia 9, o governador Jackson Barreto (PMDB) acusou os agentes prisionais de facilitarem as fugas ou colaborarem diretamente com elas. “Pode faltar tudo, e faltam também os olhos e a ação do agente que faz de conta que não vê. É para criar crise, para jogar a opinião pública contra o governo, para desestabilizar a ação do secretário da Justiça… e tudo isso com o apoio do Sindicato dos Agentes”, disparou Jackson, em entrevista dada no último dia 15 às rádios do Sistema Atalaia. O governo informou depois que alguns inquéritos apontaram indícios da participação de agentes nas fugas recentes, mas o Sindipen nega a acusação e os agentes prometem processar o governador por calúnia.
Lista:
OS FORAGIDOS DO COPEMCAN:
Acássio Santos Souza
Alexandre de Jesus Santos
Alison Erick de Araujo
Bruno de Matos Santos
Danilo dos Santos Conceição
Edmo Cristiano dos Santos
Ernandes de Jesus da Silva
Flavio Santos Lisboa
Gustavo Rafael Fontes Nascimento
Jean Santos Souza
Joan Carlos Silva Santos
Jose Leonardo Porto dos Santos
Lauro Augusto de Melo Santos Junior
Leandro Souza Trindade
Marcio Luiz de Jesus Santos
Michell Silva Pena
Onaldo Alves da Silva Júnior
Rafael de Oliveira Gonzaga
Robson Alves Santos
Vandeclauston Souza Andrade
Wagno Conceição Sacramento
Wesley Rodrigues Santos, o ‘Bolota’
Willians da Conceição Santana, o ‘Boca’
Fonte: Sejuc


