Milton Alves Júnior
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"Não pago, não pagaria. Espaço público não é mercadoria". Foram com essas palavras de ordem que mais de duas mil pessoas protestaram ontem à noite contra a cobrança de R$ 4 para cada quatro horas de estacionamento nos shoppings de Aracaju.
A manifestação aconteceu na parte interna do shopping Riomar e foi contou com a participação de estudantes da Fanese, sindicalistas de diversas categorias, além de lojistas que foram liberados por alguns empresários para que pudessem aderir ao ato. Acompanhados de perto por dezenas de agentes de segurança do estabelecimento, os manifestantes percorreram os principais corredores do shopping, e logo em seguida foram para a parte externa, onde sete viaturas da Polícia Militar estavam estrategicamente posicionadas para evitar desordem.
Iniciada através do facebook, a campanha pelo boicote ao pagamento foi aderindo novos adeptos e já está sendo realizada em diversos pontos da cidade simultaneamente. Para o presidente do Diretório Central dos Estudantes da Fanese, José Ernane Moura Souza, o objetivo é continuar atraindo pessoas para que mudanças sejam adotadas pelo Grupo João Carlos Paes Mendonça, que administra os dois shoppings da capital.
"Essa grande quantidade de manifestantes mostra o quanto as redes sociais são importantes para o povo. É um absurdo funcionário e estudantes pagarem essa taxa que fere o nosso povo", declarou.
Sem medo de demonstrar sua opinião, comerciantes de diversas lojas foram assistir a passagem dos manifestantes, que com apitos e bandeiras da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), colhiam assinaturas da população que é contra a tarifa.
"As nossas vendas caíram quase 70%. Esse shopping está um deserto e o nosso medo é que algumas demissões sejam realizadas. Com essas condições, nenhuma de nós está alcançando a meta diária. Será que é a administração que está equivocada, ou todos os aracajuanos é que estão errados?", indagou a comerciante Sabrina Souza Lima.
Devido ao baixo número de vendas, contratações temporárias que deveriam ser realizadas nessa última semana de novembro, até o momento foram inviabilizadas por parte dos empresários. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, José Souza, é nesse momento que a população deve se unir para reivindicar os direitos.
"Apesar de se tratar de uma decisão antipática por parte da administração, nossa mobilização será totalmente pacífica. Como bem diz o ditado do sertão, ‘ladrão só rouba galinha que não faz barulho’, e é por isso que estamos realizando esse ‘apitaço’ para que o consumidor não seja mais roubado do que já é", afirmou Souza.
Segurança – Acompanhando de perto o trabalho de agentes da Polícia Militar e da Companhia de Policiamento de Trânsito (CPTran), quem também esteve no ato foi o deputado estadual Capitão Samuel. "Os policiais receberam um chamado através do CIOSP e estão aqui para garantir a ordem. A nossa educação é outra. Se quem ligou para o 190 achou que a PM iria chegar com truculência, se enganou completamente. O ato é legítimo, faz parte do direito de expressão", afirmou. Sem anunciar data e hora, ficou garantido pelos manifestantes que o mesmo tipo de protesto deve ser realizado no shopping Jardins.


