Gabriel Damásio
A Polícia Federal deflagrou ontem a ‘Operação Sete Metros’, que investiga supostas irregularidades na gestão de verbas federais repassadas à Confederação Brasileira de Handebol (CBHb). Ao todo, 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos por agentes do órgão, sendo três deles em Aracaju: um na sede da entidade, um na residência do presidente afastado Manoel Luiz de Oliveira e um na casa de um funcionário responsável pela gestão de contratos da confederação. Nos três locais, os policiais recolheram documentos e computadores, que foram encaminhados para análise.
Os outros mandados foram cumpridos em Brasília (DF) e nas cidades paulistas de Cotia, São Bernardo do Campo, Santo André e a capital São Paulo. Não houve expedição de mandados de prisão. De acordo com nota da Polícia Federal, a ‘Sete Metros’ investiga uma suposta associação criminosa entre gestores da entidade e de empresas privadas. A suspeita é de que o grupo teria desviado R$ 6 milhões que foram repassados pelo Ministério do Esporte, para a realização do Campeonato Mundial de Handebol Feminino no Brasil, em 2011. O evento fez parte do ciclo preparatório para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Segundo a PF, as investigações demonstraram que a CBHb recebeu e continua recebendo recursos federais repassados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para projetos de desenvolvimento do handebol. "Contudo, os indícios até aqui reunidos apontam que, na aplicação dos valores recebidos, os envolvidos fraudaram licitações, subcontrataram pessoas físicas e jurídicas impedidas de contratar com a União, superfaturaram valores de bens e serviços adquiridos, realizaram pagamentos por serviços não prestados e por bens não entregues e falsificaram documentos nas prestações de contas, incorrendo, por isso, em diversos crimes".
O nome da operação, ‘Sete Metros’, se refere à penalidade máxima aplicada a quem comete faltas graves nos jogos de handebol, que é assemelhada ao pênalti do futebol. Nesta penalidade, a bola pode ser atirada pelo atacante a sete metros de distância do gol. Não houve entrevista coletiva para dar os detalhes da operação, mas extraoficialmente se afirma que a investigação estaria relacionada às recentes irregularidades descobertas na gestão de Manoel Luiz à frente da presidência da CBHb. Em 6 de abril deste ano, ele foi afastado do cargo por ordem da Justiça Federal, pois o Ministério Público questionou o uso de indevido de mais de R$ 21 milhões em convênios com o Ministério do Esporte. O professor sergipano ocupava o cargo há 28 anos e se afastou antes da ordem judicial, para fazer uma cirurgia cardíaca.
O presidente da entidade disse que ainda não vai se pronunciar sobre o assunto, pois o caso está em segredo de Justiça. Já o advogado da CBHb, Wilson Marqueti, disse que a entidade já prestou contas ao Ministério do Esporte sobre os gastos com o Campeonato Mundial de Handebol Feminino, restando apenas um parecer conclusivo por parte do Ministério. De acordo com o defensor, a documentação apreendida pela PF é a mesma que já foi enviada na prestação de contas.


