Gabriel Damásio
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O policial militar reformado Josenildes Rodrigues Santana, 60 anos, preso nesta quarta-feira sob acusação de envolvimento com o suposto grupo de extermínio que teria matado 17 pessoas em Poço Verde (Centro-Sul), vai continuar detido no Presídio Militar de Aracaju (Presmil). Ontem, o juiz substituto da comarca local, Edno Aldo Ribeiro de Santana, decretou a prisão temporária do militar por 30 dias, como forma de garantir o andamento das investigações realizadas na cidade pela Polícia Civil. A medida atendeu a um pedido apresentado pelo delegado Everton Santos, coordenador de Polícia do Interior e responsável pelas apurações.
Santana foi punido pelo Comando da Polícia Militar com uma prisão disciplinar preventiva de 72 horas e seria liberado na noite de ontem, caso a prisão temporária não fosse decretada. No final da manhã de ontem, o Comando foi oficialmente notificado da decisão do juiz. A ordem foi dada após o comandante interino, coronel Luiz Fernando de Almeida, ser informado de que o capitão teve seu nome citado por testemunhas ouvidas pela Polícia Civil em depoimentos colhidos sobre as mortes de Poço Verde. "A prisão foi uma iniciativa da própria Polícia Militar, que, obviamente, não admite e nem compactua com qualquer indício de participação de qualquer um de seus integrantes, seja ele reformado ou da ativa, em uma situação como essa", disse na ocasião o major Paulo César Paiva, chefe de relações-públicas da PM.
Os outros detalhes das apurações são mantidos em sigilo, mas a polícia garante que outros suspeitos de envolvimento com o grupo de justiceiros foram identificados e estão sendo procurados. Um deles é o ex-presidiário José Augusto Aurelino Batista, 40, que ainda está foragido e, segundo informações, está fora de Sergipe, "há 3 mil quilômetros" de distância. Na quinta-feira, ele deu entrevista por telefone à rádio Megga FM e disse, enfaticamente, que não vai se entregar à polícia sergipana, pois afirma ser inocente e teme ser morto na cadeia.
"Enquanto o pessoal daí está fazendo cerco em casa de parente meu, estão perdendo tempo, gastando dinheiro do estado à toa. Eu não estou aí e não teria como ficar aí de jeito nenhum, porque eu não devo.
Não tenho nada a ver com isso aí. Não vou me entregar porque, se eu for me apresentar, vou pagar por tudo. Não tem outro nome, a polícia não quer ir procurar quem deve, quer procurar a mim que sou ex-presidiário, que sou ‘sujo’, como eles dizem… Eu peço que perguntem à Justiça, à Secretaria da Segurança, ao delegado que está investigando, que me apresentem uma prova da minha participação nos crimes de Poço Verde", afirmou Aurelino. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que mantém todas as acusações contra o foragido e que está empenhada em sua prisão.
A sequência de assassinatos foi tema de um dossiê do Ministério Público local, o qual apontou que boa parte dos jovens assassinados tinha algum envolvimento com a criminalidade no município e que alguns deles tiveram os corpos achados em locais desertos de Poço Verde ou de cidades vizinhas da Bahia. O dossiê foi revelado no início do mês pela deputada estadual Ana Lúcia Menezes (PT), em pronunciamento na Assembleia Legislativa, e levou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) a criar uma força-tarefa das polícias Civil e Militar para a apuração dos crimes.


