Milton Alves Júnior
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Está marcada para hoje o início da greve dos garis limpeza urbana que atuam em Aracaju. Sem acordo firmado entre os trabalhadores, setor empresarial e prefeitura, aproximadamente 400 garis e margaridas garantiram cruzar os braços a partir de hoje por tempo indeterminado.
Desde o mês de outubro do ano passado a categoria pleiteia um reajuste salarial de 15,35%, de forma a atingir um piso salarial de R$ 879, mas até o início da noite de ontem nenhuma contraproposta foi apresentada pelas empresas contratadas para realizar o serviço de coleta de lixo.
Em Aracaju, os moradores já temem um conjunto de problemas de saúde ocasionados pelo acúmulo de lixos orgânicos e inorgânicos. A direção do Sindicato dos Empregados da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindelimp) confirmou na tarde de ontem que a paralisação geral no dia de hoje seria uma medida inevitável em virtude de um possível ‘corpo mole’ ou ‘desrespeito aos trabalhadores’, como foi apontado pelo presidente Rayvanderson Fernandes.
"Amanhã (hoje) completa uma semana que a categoria deflagrou estado de greve e até agora nenhum gestor da Prefeitura de Aracaju nos procurou para analisar a situação de calamidade que nós trabalhadores enfrentamos. Estamos confirmando a paralisação de uma média de 400 pessoas sem prazo para retomar as atividades. Ou a gente adotava essa postura, ou nunca iremos ser beneficiados com diretos que são garantidos por lei", disse.
Reivindicações – Além do reajuste salarial, na planilha de reivindicações consta ainda o pedido de concessão de plano de saúde, auxílio alimentação no valor de R$ 18 por dia, pontos de apoio para atender aos profissionais durante a jornada de trabalho e auxílio creche no valor de R$ 200. Para o Sindelimp, não existe possibilidade de trégua enquanto a situação trabalhista não seja resolvida.
Questionado sobre a adesão dos trabalhadores, Rayvanderson voltou a enaltecer o desejo da categoria em fortalecer o sindicato e buscar progresso coletivo. Segundo o presidente, a falta de atenção junto a estes profissionais contribuiu ao longo dos últimos oito anos para que a possibilidade de greve se fortalecesse a cada rejeição do poder público municipal. "Tudo na vida tem um limite, e depois de quase dez anos de espera, o nosso limite foi alcançado. Nos prometeram solução há dois anos, mas até agora o que nós deparamos foi com aumento de serviço e estabilidade do salário. O não repasse de auxílio plano de saúde e ticket alimentação também ajudaram a movimentar os companheiros trabalhadores para que possamos registrar o maior número de garis e margaridas em greve", afirmou.
O sindicalista voltou a criticar a direção da empresa responsável pela coleta e do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação (Seac). Garantiu que toda a mobilização é considerada legal, e que os trabalhadores tem sido orientados pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). Para ele, a prefeitura erra ao não exigir das empresas que prestam o serviço o devido compromisso trabalhista com todos os servidores. "É triste e desesperador perceber que irregularidades são registradas a cada instante e nem o prefeito nem o secretario se importa em defender a nossa causa. Se a prefeitura estivesse se preocupando com as nossas pendências e pressionassem a empresa, por exemplo, certamente desta quarta-feira em diante não estaríamos em greve geral", pontuou.
Prefeitura – No final da tarde de ontem foi realizada uma reunião de emergência na sede da Emsurb com diretores da empresa responsável pela coleta de lixo. A Assessoria de Comunicação da Emsurb informou que a empresa garantiu que o serviço não deve registrar grandes interferências públicas nos próximos dias. Ficou firmada uma promessa de limpeza geral das ruas e natural recolhimento de lixos das moradias.
"Foi prometido que, se de fato os trabalhadores entrarem em greve, planos emergenciais serão adotados para evitar o acúmulo de lixo nas ruas", declarou a jornalista da Emsurb, Shislane Vitória.


