Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Talento, competência e sorte. O fotógrafo Marcio Garcez possui dispõe de todo os requisitos indispensáveis ao sucesso. Patrocinada pelo Banco do Estado de Sergipe (Banese), a exposição "Lambe-Sujos x Caboclinho" inaugura a pauta do Museu da Gente Sergipana em 2013, depois de levar as cores fortes do folclore sergipano para a Câmara dos Deputados, em Brasília.
Segundo informações do superintendente do Instituto Banese e diretor do Museu da Gente Sergipana, Ézio Déda, a mostra cumpriu o papel a que o fotógrafo se propôes, obtendo a visitação de um público expressivo e a aprovação da crítica especializada.
"Agora o Museu da Gente Sergipana também vai receber essa importante mostra que registra, através do talento de Márcio Garcez, momentos históricos do ‘Lambe-Sujo x Caboclinho’, manifestação cultural secular de Laranjeiras, que apresenta o embate simbólico entre negros e índios", disse ao ressaltar o trabalho de valorização e divulgação da cultura que vem sendo realizado em Sergipe pelo Governo do Estado.
O Jornal do Dia aproveitou a oportunidade para trocar duas palavras com o fotógrafo:
Jornal do Dia – O historiador Luiz Antônio Barreto, estudioso e entusiasta do folclore, morreu desiludido com o espaço dedicado às manifestações populares nos eventos culturais do estado. A sua exposição, por outro lado, faz o caminho inverso e procura as pessoas para apresentar o que sobrou dessa história. A gente pode afirmar, a partir dessas observações, que o folclore sergipano virou documento?
Marcio Garcez – Luiz Antônio Barreto foi um grande incentivador e colaborador, tive a honra de contar com um texto dele no trabalho "Senhor dos Passos em todos os Passos". Nós temos uma grande diversidade e riqueza cultural, porém, falta ser melhor explorada de forma prática a fim de trazer benefícios para a comunidade que promove os folguedos, município e estado. Entendo que seja preciso uma política cultural que vise a médio prazo auto sustentabilidade dos que fazem essas manifestações.
JD – É curioso observar que o fotógrafo Alejandro Zambrana voltou as lentes para o mesmo evento, realizando os registros reunidos na exposição Peleja. A que podemos atribuir a coincidência? Será que o folclore sergipano voltou a nos preocupar, como queria o historiador?
Garcez – Não sou o pioneiro a documentar esta manifestação. Marcel Nauer, Jairo Andrade, Isa Vanny e tantos outros já registraram esses momentos O tempo não para… e nem deve parar mas as referencias ficam. Faço meu trabalho depreendido de qualquer pretensão.
Desde quando comecei na fotografia, há mais de 20 anos, sempre fui atraído por temas culturais Esse trabalho é que estou expondo é resultado de mais de 17 anos de documentação e vivencia. tenho outros trabalhos documentais a exemplo do ‘Senhor dos Passos em todos os Passos’; ‘São Gonçalo: Do Amarante a Mussuca" e tantos outros que ainda não estão concluídos.
A exposição: "Lambe-Sujo x Caboclinho" é um projeto antigo – já foi acolhida pela Câmara Federal, em dezembro de 2011 para fazer parte das comemorações do Mês da Consciência Negra daquela casa, em novembro de 2012. Passou ainda por Porte Alegre.
JD – A montagem de sua exposição conta com um aporte provilegiado de recursos. Além do espaço no Museu da Gente Sergipena, você foi patrocinado pelo Banese. Como sensibilizar as instituições locais para trabalhos como esse?
Garcez – O edital da Câmara foi de ocupação. Eles deram apoio logístico – Catálogos, produção e montagem, divulgação e convites. Tive o patrocínio do Banese para as ampliações e molduras, catálogos e o lançamento aqui no Museu da Gente. O apoio da Emsetur no transporte da exposição e a Segrase que ofereceu um coffe break no dia da abertura.
Tentei levar um grupo de brincantes de Laranjeiras para se apresentar em frente ao Congresso Nacional no Dia da Consciência Negra, mas não foi possível.
Marcio Garcez expõe
no Museu da Gente Sergipana
Local: Museu da Gente Sergipana
Data: 26 de fevereiro
Hora: 19 horas


