Marginais aterrorizam passageiros no Leonel Brizola

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Comerciantes e usuários do transporte público que frequentam o terminal de integração Leonel Brizola, zona oeste de Aracaju, estão se queixando da falta de fiscalização interna, abandono estrutural por parte dos órgãos competentes e significativo aumento do índice de assaltos promovidos todos os dias a partir das 18h. Na maioria dos caos registrados, as estudantes com até 20 anos de idade têm se tornado o alvo principal dos meliantes que chegam caminhando em grupos, ou desembarcam de alguma linha que faz parada obrigatória no local. Sem a presença de agentes da Guarda Municipal, os assaltantes estão ‘imunes’ de repressão pública e deixam o Leonel Brizola sem grandes preocupações.

Localizada ao lado do terminal rodoviário Governador José Rollemberg Leite, a região é propícia para esse tipo de ação criminosa devido à vasta quantidade de vegetação e dezenas de vielas. Diariamente são registrados cerca de três furtos. Só esta semana sete passageiros se queixaram da perda de aparelhos telefônicos, bolsas, e/ou carteiras. Paralelo à geografia da região e falta de agentes permanentes, atos de vandalismo contra as luminárias têm contribuído para que, durante o período noturno, a população fique ainda mais vulnerável a esses ataques rápidos e sem muito alarde. Conscientes da não manutenção instantânea destes equipamentos de iluminação, os próprios assaltantes são responsáveis por praticar a deterioração pública.

Vítima de dois assaltos apenas este ano, a universitária Eline Sampaio disse ter trocado o turno em que estudava a fim de evitar outro tipo de abordagem. De acordo com a denunciante, a primeira situação ocorreu no mês de abril quando voltava da Universidade Federal de Sergipe. Na ocasião a jovem de 19 anos foi assaltada dentro do ônibus e, ao descer do veículo, não encontrou nenhum agente que pudesse atender a ocorrência. "Já era umas oito e meia e ainda achei que poderia recuperar minha bolsa, mas quando o ônibus estava parando foi observando se havia alguma viatura, mas não encontrei. A segunda vez foi em junho e por isso decidi mudar minha grade de aulas", disse.

Já o vendedor Diego Coutinho afirma ter perdido o celular sem perceber a movimentação dos populares ‘batedores de carteira’. Insatisfeito com a situação, o usuário do transporte coletivo garante não saber a quem reivindicar melhorias para o sistema. "Lembro que estava encostado numa pilastra e quando botei a mão no bolso o celular não estava mais. Aqui é escuro, assim como outros terminais de Aracaju, mas se depois daquelas manifestações do ano passado nada mudou, imagine agora", declarou. Questionado sobre as medidas adotadas a fim de evitar novas perdas, ele disse só desembarcar no terminal acompanhado de colegas de trabalho que por ventura possuem a mesma rota na volta para casa. "Às vezes eu espero até uma hora pra que a gente possa sair junto. Somos três, cada um olha para os lados e buscamos ficar sempre debaixo dos postes de luz, mesmo que este ponto fique distante de onde o nosso ônibus para", pontuou.

Inaugurado em 14 de julho de 2006 o terminal foi construído no governo do então prefeito Marcelo Déda e finalizado com o ex-prefeito Edvaldo Nogueira. Nos primeiros anos de funcionamento o local contava com duas pistas de rolamento com capacidade para 27 ônibus simultaneamente, ponto de táxi, cantina, sanitários, moderno sistema de iluminação, mas desde então, nunca passou por uma reforma.

Reparos – Ao Jornal do Dia foi informado pela Assessoria de Comunicação da Superintendência municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) que a Prefeitura de Aracaju de fato possui consentimento das denúncias e já trabalha tecnicamente para reparar os danos. Conforme explicado, foi constatado um problema no sistema de fiação no qual impossibilita que toda uma fase esteja funcionando. Duas coordenadorias estão elaborando medidas emergenciais para atende ao pleito dos passageiros e evitar novos danos. A Guarda Municipal de Aracaju também já foi comunicada quanto as queixas populares. Até o final da tarde de ontem não foi divulgado uma previsão de quando o local será readequado.

Compartilhe esta notícia