Cândida Oliveira
As marquises de antigos prédios instalados no centro de Aracaju se tornaram ameaças constantes para as pessoas que transitam nas calçadas. Em 2010, uma mulher morreu, vítima de desabamento de uma marquise.
Na avenida Rio Branco, a marquise de um antigo prédio, onde funcionou a sede do Diários Associados, foi condenada pela Defesa Civil de Aracaju e vândalos retiraram a estrutura de madeira que escorava o empreendimento no último final de semana. A marquise do antigo Hotel Palace também é outra que preocupa.
De acordo com o assessor de comunicação da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), Ademar Queiroz, atualmente a Prefeitura de Aracaju não libera licença de construção que possua marquise em seu projeto. E no caso de reformas de imóveis que possuam marquises, a orientação é que seja retirada. "A responsabilidade de manter o prédio seguro para a população é do proprietário do imóvel", explicou Queiroz.
Ele informa ainda que há fiscalização para identificar marquises em ruim estado de conservação, mas que os fiscais têm dificuldade em realizar o trabalho, pois muitas marquises estão envelopadas pelos letreiros e propagandas de lojas. Assim, fica difícil até visualizar qualquer problema. "No centro comercial há muitas marquises escondidas atrás de letreiros, o que dificulta a identificação de manutenção".
No caso da marquise do Diários Associados, Ademar contou que a diretoria de obras da Emurb irá ao local recolocar as madeiras de sustentação e que o prédio é alvo de uma Ação Civil Pública, do Ministério Público. "A ordem judicial é para que os proprietários, que residem em Salvador, recuperem o imóvel". Mas, o MP também tem uma ação contra a Prefeitura de Aracaju, onde solicita que o município restaure o prédio. "Primeiro foi solicitado que demolíssemos o prédio, mas o Iphan entendeu que o imóvel é de interesse cultural e teria que ser conservado. Depois, pediram que a Prefeitura restaurasse, então, a prefeitura recorreu da decisão, porque o local possui proprietário", contou o assessor de comunicação.
O coordenador da Defesa Civil de Aracaju, coronel Reginaldo Moura, já visitou o local e junto com a Emurb tomará as providências de recolocação dos tapumes. "Ainda estamos nos informando da situação das marquises, mas sabemos dos problemas e vamos trabalhar para resolver a situação", avisou.
Em Aracaju, uma mulher de 30 anos morreu na frente dos filhos depois que a marquise de uma loja desabou em 2010. O acidente aconteceu no centro comercial da cidade, no momento em que a mulher passava embaixo da marquise de uma loja em reforma. Apesar da obra, não havia nenhum tipo de isolamento ou aviso na área. As crianças também foram atingidas, mas sem gravidade.


