Depois de 68 anos de prestação de serviços hospitalares para milhares de pacientes, na manhã de ontem a Maternidade Zacarias Júnior fechou as portas por tempo indeterminado. Situada em Lagarto, a unidade hospitalar foi fundada no dia 02 de dezembro de 1948, e era conhecida por atender gestantes das regiões centro-sul do estado, em especial nas cidades de Poço Verde, Simão Dias, Tobias Barreto, Riachão, Lagarto. A maternidade também atendia pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), oriundos da Bahia e Alagoas. Sem receber os salários desde dezembro do ano passado, os funcionários decidiram cessar as atividades.
Conforme dados apresentados pela direção da maternidade, ao todo, 98 profissionais entre médicos, assistentes, enfermeiros, técnicos de enfermagem, atendentes e agentes de limpeza, atuavam na unidade. De acordo com os gestores, o atraso no pagamento salarial da categoria foi inevitável devido a não aquisição de verbas públicas suficientes para quitar o gasto mensal estimulado em R$ 580 mil. Ao contrário do que ocorre em Sergipe no momento em que a classe trabalhadora decide deflagrar greve, desta vez, o setor patronal decidiu apoiar o movimento por entender que fica definitivamente insustentável trabalhar sem previsão de quando receberá o pagamento salarial.
O ponto cego deste problema, segundo o diretor-presidente da maternidade, Edivanilson Rodrigues, está no atraso de verbas que ocorre pelo SUS, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Lagarto. De acordo com o gestor, sem o cumprimento desse repasse financeiro, fica difícil cumprir com as obrigações junto aos funcionários. Edivanilson Rodrigues lamenta ainda que, diante do fechamento da Maternidade Zacarias Júnior, os usuários do sistema necessitem se deslocar para maternidades nos municípios de Estância, Itabaiana, ou Aracaju.
"Nós já sabíamos dessa suspensão porque na semana passada os trabalhadores se reuniram, inclusive com a direção da maternidade, para debater o problema e informar que iriam cruzar os braços até que a situação fosse regularizada. Em outubro do ano passado começamos a sentir os efeitos do atraso, mas conseguimos administrar até dezembro quando o pagamento foi interrompido. Nós não queríamos que chegasse a esse ponto, mas não reprovamos em hipótese alguma a decisão adotada pelos servidores", lamentou o presidente, garantindo que a situação delicada permanece e que não tem previsão de quando essa pendência será regularizada.
A Prefeitura de Lagarto admitiu que é "responsável por efetuar a fiscalização do contrato existente entre as instituições. Esclarece ainda que, em virtude do não cumprimento de metas estabelecidas em contrato, por parte da Maternidade Zacarias Júnior, efetuou descontos nos pagamentos dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro de 2015, tudo conforme previsto em lei e contrato ".

