Milton Alves Júnior
Os serviços de urgência e emergência realizados nos setores de maternidade e pediatria do Hospital Santa Isabel foram reiniciados na manhã de ontem após suspensão que durou mais de dez horas. De acordo com a direção hospitalar, os serviços de acordo plantão oferecidos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) necessitaram ser cancelados em decorrência da ocupação total dos leitos disponíveis na unidade. Apesar dos esforços realizados pelos profissionais administrativos do hospital, a direção alega que este tipo de situação tem ocorrido com frequência.
Conforme destacado pela assessora de comunicação, Rafaela Rodrigues, diariamente são realizados mais de três mil atendimentos, ação que ultrapassa o limite de assistência compatível com a estrutura da unidade hospitalar. Em casos de suspensão, os usuários são orientados a seguir para outras unidades de saúde, ou aguardar a normalização do serviço e ser atendido no próprio Santa Isabel. Diante da aproximação dos festejos juninos – período em que as crianças costumam apresentar algum tipo de instabilidade na saúde – a assessora não descartou a possibilidade de o hospital voltar a enfrentar problemas semelhantes.
"O hospital está disposto a prestar os devidos atendimentos a todos os usuários que chegam aqui em busca de assistência especializada. O problema, infelizmente, é que nem sempre estamos contendo as condições mínimas para atende mais pacientes. Isso sempre acontece aqui e posso garantir que não é por displicência, mas sim por falta de estrutura. Muitas vezes a unidade atua acima da capacidade e quando chega ao ponto de decretar fechamento dos plantões é porque já foi alcançado o limite operacional", disse. Quando esse tipo de desassistência ocorre, os pacientes costumam ser encaminhados para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), que também segue atuando com lotação em vários setores.
Apesar dos esclarecimentos feitos pela Maternidade Santa Isabel, os pais alegam que a falta de pediatras é a principal causa das interrupções. Para Marleide Gomes dos Santos, de 31 anos, mesmo em funcionamento, o local costuma ser lento na promoção do atendimento. "A gente vem pra cá para melhorar a saúde dos nossos filhos e passamos quase que a manhã e à tarde toda aguardando pelo serviço. Tenho certeza que se tivessem mais médicos ninguém passaria por essa demora toda", lamentou. Sobre a interrupção desta semana, a direção da unidade informou que, somente entre a quarta e quinta-feira, cerca de 3.600 atendimentos foram realizados, quando a média diária comum é de, no máximo, três mil novos prontuários.


