Médico do Huse é agredido por suposto policial

Um incidente provocou tensão por volta das 13h de ontem no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no Capucho (zona oeste de Aracaju). Um homem que se identificou como policial – mas não teve sua qualificação comprovada – agrediu um médico neurologista que estava responsável pelo Pronto-Socorro Adulto da unidade. O profissional levou um chute nas pernas depois de uma discussão com o homem, cuja filha de três anos estava com febre muito alta e corria risco de sofrer uma convulsão.

A confusão foi confirmada ao JORNAL DO DIA pelo porta-voz da Secretaria Estadual de Saúde, Alberto Jorge. Segundo ele, o pai da paciente chegou ao PS Adulto bastante nervoso e exigia que a menina fosse internada imediatamente, mas tanto o médico quanto os funcionários orientaram que a menina fosse levada para outra entrada do Huse, onde fica o Pronto-Socorro Infantil. "A parte adulta é a que fica na frente do hospital e a infantil fica na entrada dos fundos. O médico explicou pra ele que existe todo um procedimento em relação ao atendimento de crianças e que isso não podia ser feito pela parte adulta. Por isso que ele foi aconselhado para ir por trás do Huse, no próprio hospital mesmo", explicou Jorge.

O assessor disse que a explicação "não foi compreendida" pelo pai da menina, que ficou mais nervoso e iniciou uma discussão que culminou com o chute no médico. "Entendemos que ele estava aflito por causa da situação da filha, mas isso não lhe dá o direito de agredir", considerou ele, após relatar que a situação foi controlada "com inteligência" por seguranças do Huse e policiais militares lotados no hospital. "Eles dominaram o rapaz, sem qualquer violência e a situação se acalmou", assegura Alberto.
A criança foi mesmo levada para o PS Infantil, onde teve a febre controlada pelos médicos. Ela permanece internada, mas passa bem. O neurologista, por sua vez, prestou um boletim de ocorrência na 8ª Delegacia Metropolitana (8ª DM), no Capucho, que deve abrir um inquérito para apurar o caso. O pai da paciente não foi detido, mas será chamado para prestar depoimento.

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