Médicos da PMA vão parar; professores seguem em greve

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Por tempo indeterminado mais de 400 médicos lotados em 43 unidades de Saúde administradas pela Prefeitura de Aracaju cruzam os braços a partir da próxima segunda-feira, 08. A decisão foi adotada na manhã de ontem durante uma assembleia extraordinária da categoria que foi realizada na sede do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), em Aracaju. A medida, considerada por muitos servidores como impactante, tornou-se possível após a direção do sindicato buscar negociações relativas à Campanha Salarial 2015 junto ao prefeito João Alves Filho, mas nenhuma contraproposta ter sido apresentada pela administração municipal. Com a greve, mais de 10 mil usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) devem ficar sem atendimento.

Paralelo à falta de negociação junto ao reajuste salarial, as precárias condições de trabalho têm ampliado, ainda mais, as lamentações dos médicos e demais servidores públicos que atuam no âmbito da saúde municipal. A constante falta de medicamentos, macas e demais utensílios básicos de trabalho diário como: luvas, máscara, esparadrapo, gaze e atadura contribuíram diretamente para que as lamentações dos profissionais resultassem em paralisação. Cientes da importância trabalhista para o bem coletivo, os médicos interromperão os serviços, com exceção de atendimentos com caráter de urgência ou emergência. Esta ação assusta os aracajuanos que dependem do sistema público, mas o Sindimed garante que a categoria vai respeitar a porcentagem mínima de 30% exigida por lei para os serviços considerados essenciais.

Visivelmente insatisfeito com a postura administrativa adotada por João e pelo secretário municipal de saúde, Luciano Paz, o presidente do Sindimed, João Augusto Oliveira, lamenta que fatos irregulares estejam ocorrendo na Prefeitura de Aracaju. Entre estes caos criticados estaria o não pagamento salarial dos profissionais que, conforme planejamento, deveria ter sido transferido até as 23h59 da última sexta-feira, 29. Hoje a paralisação de advertência continua. "Ficou definido que seriam dois dias de greve de advertência. Estávamos aguardando que antes da assembleia uma contraproposta fosse apresentada pela prefeitura, mas lamentavelmente isso não ocorreu, assim como salário de alguns colegas de profissão que permanecem sem receber. Diante dessas circunstâncias a greve foi inevitável", declarou.

Ainda de acordo com a direção do Sindimed, a data base para o reajuste, que sempre foi no mês de janeiro, este ano a Prefeitura de Aracaju decidiu mudar para o mês de maio. Ao comunicar a alteração para os servidores, a desculpa seria uma possível desestabilidade financeira que a cidade estaria enfrentando. Os meses se passaram, e o reajuste prometido para o mês passado sequer começou a ser debatido. "A Prefeitura anuncia algo bom para daqui a um ano e ao mesmo tempo anuncia que, daqui a alguns dias a população vai ficar sem atendimento médico. Estamos preocupados com esta situação, e conosco estão os pacientes que também não aprovam a estrutura da saúde disponível pela prefeitura", pontuou o presidente.

Segundo informações apresentadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), uma parte do pagamento foi feito na sexta-feira para alguns servidores, e essa semana estaria realizando os demais pagamentos. Para o secretário Luciano Paz, o ‘atraso’ questionado pela categoria é constitucional. "Todos nós sabemos que a nossa constituição garante que até o quinto dia útil nós podemos pagar ao trabalhador. Estamos no segundo dia útil desse mês e ainda estamos no prazo. Essa semana ainda essa reclamação não será mais registrada porque iremos repassar o pagamento de todos", afirmou Paz.

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