Médicos da Prefeitura de Aracaju podem pedir demissão em massa

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Os médicos da Prefeitura de Aracaju podem pedir demissão em massa na manhã de hoje. Logo mais a partir das 7h30 os servidores se reúnem na sede do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed) para definir se acatam, ou não, a proposta de suspender os contratos com a prefeitura, e interromper todas as assistências realizadas nos postos de saúde através do Sistema Único de Saúde (SUS). O caos na saúde municipal ocorre diante dos sucessivos atrasos nos pagamentos salariais, não realização de concursos

públicos e precária estrutura física disponível para os profissionais atenderem aos pacientes.
De acordo com o sindicato da categoria, não há diálogo com o prefeito João Alves Filho desde que ele assumiu o mandato, em janeiro de 2013. Apenas o secretário de Saúde, Luciano Paz, tem recebido a classe trabalhadora para dialogar, mas não apresenta ações que solucionam as irregularidades. A situação enfrentada administrativamente pelos médicos especialistas da PMA resultou no pedido de demissão voluntária adotado por sete profissionais. Sobre o assunto que gera preocupação a todos os aracajuanos dependentes do SUS, até o final da tarde de ontem o prefeito João Alves não havia se manifestado.

Segundo o vice-presidente do Sindimed, José Menezes, permanecer atuando diante da atual conjuntura disponível não está mais nos planos da categoria. O sindicalista alega que os trabalhadores se dizem ‘cansados’ de tanto esperar pelo cumprimento das promessas feitas pelo prefeito. "Não podemos mais permanecer com essa rede de saúde precária que a prefeitura dispõe para o médico trabalhar. Os problemas só fazem ampliar e causar, entre outros danos, complicações no quadro clínico dos pacientes que correm para as unidades de Aracaju a procura de atendimento. Se o médico não é respeitado pelo prefeito, nós também não vamos assumir a culpa pela saúde de baixa qualidade oferecida ao povo de Aracaju", declarou.
Durante a manhã e tarde de ontem, a assessoria de gabinete da SMS informou que o secretário Luciano Paz estava participando de reuniões, e por isso não atenderia à imprensa. Ainda sobre a proposta de demissão em massa, José Menezes alegou que surgiu diante do não cumprimento de acordos firmados ao longo dos últimos três anos e dois meses do governo João. A atual situação, segundo o sindicalista, além de irregular para o exercício trabalhista, também está insustentável em termos financeiros.

"Chegamos ao limite da paciência. O que mais nos chama atenção é a ausência do prefeito em dialogar com as categorias, inclusive com nós médicos. Tentamos marcar com o prefeito para se reunir com o Sindimed, mas sempre nos é informado que a audiência será com os secretários. É preciso deixar claro que o prefeito eleito foi João, e não os assessores. Como o prefeito não dá atenção aos trabalhadores e não atende as reivindicações dos médicos, vamos analisar nessa terça se a melhor maneira de acabar com esse estresse é entregando os cargos", pontuou Menezes.

Ao contrário dos médicos, os enfermeiros receberam o pagamento salarial referente ao mês de fevereiro no final da manhã de ontem. Apesar do repasse, os servidores prometem realizar novas paralisações caso a Prefeitura de Aracaju volte a proceder com o atraso. De acordo com Evaldo Lima, diretor do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE), a categoria permanece em estado de greve. A situação ocorre diante dos problemas já enfrentados pela categoria desde o final de 2014.
"Realizamos atos e paralizações dos serviços nos meses anteriores e como estamos cansados desse descaso, já havíamos dito que teríamos novas suspensões do serviço todas as vezes que a prefeitura atrasasse os nossos salários. Esse mês pagaram no final da manhã de ontem, mas continuamos em estado de greve, se atrasar novamente, a categoria volta a cruzar os braços. Os enfermeiros também cansaram do destrato que essa gestão impõe sobre a classe trabalhadora", avisou.

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