Médicos de Aracaju voltam ao trabalho

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois de 23 dias atuando no Sistema Único de Saúde (SUS), com apenas 50% do quadro funcional, médicos da rede municipal de Aracaju decidiram na manhã de ontem suspender o movimento grevista. A decisão foi adotada com o propósito de atender uma decisão judicial protocolada na tarde da última terça-feira, 07, e mesmo após a categoria ter sido barrada na entrada do Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju. Segundo a Guarda Municipal, por ordens superiores, a entrada dos funcionários e gestores de pastas apenas estaria ocorrendo pelas portas dos fundos. O comando da GMA não revelou quem teria determinado barrar os médicos que desejavam se reunir com o prefeito João Alves Filho.

O último ato grevista da classe médica – ao menos por enquanto – teve como propósito protestar contra o não cumprimento da data base, falta de pagamento de horas extras, inexistência de condições reais de trabalho, recorrentes atrasos no pagamento, desvalorização salarial além da ausência de convites por parte do governo municipal para debater o pleito dos médicos. Na avaliação exposta por José Menezes, membro do Sindicato dos Médicos do Estado Sergipe (Sindimed), é evidente que a postura adotada pelos agentes foi oriunda de uma determinação apresentada pelo chefe executivo do município. João Alves, na avaliação dele, deu as costas aos profissionais da saúde desde o dia 01 de janeiro de 2013 quando foi empossado prefeito da capital sergipana.

A mesma atitude adotada pela GMA na manhã de ontem contra os médicos, esta semana também já tinha sido promovida a favor do bloqueio de enfermeiros, assistentes sociais, agentes de combate à endemias, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e mais seis categorias que também estiveram no mesmo local para pressionar o prefeito a fim de que ele pudesse atender ao conjunto de reivindicações apresentado ainda no final do ano passado. Ao Jornal do Dia José Menezes lamentou a recepção ofertada à classe trabalhadora, e destacou a necessidade de a população aracajuana observar como o prefeito tem se mostrado indisposto a buscar progressos para a saúde pública.
Na semana passada, a pedido da própria Prefeitura de Aracaju, o Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE), decretou a greve como ilegal e determinou o reinício imediato das funções. A multa pelo descumprimento foi calculado em 20 mil reais diários.

Programação – A segunda edição do ‘João Sem Solução’, promovida por 12 categorias que atuam no âmbito da saúde municipal, ocorre hoje a partir das 7h em frente ao Centro de Hemoterapia do Estado de Sergipe (Hemose). Após a doação de sangue, os servidores se reúnem em assembleia para definir o futuro da greve geral que se estende há 10 dias. Com a paralisação, cerca de quatro mil consultas diárias deixaram de ser realizadas.

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