A partir da próxima segunda-feira, 20, os médicos que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) por intermédio da Prefeitura de Aracaju voltam a cruzar os braços por tempo indeterminado. A greve da categoria foi deflagrada na manhã de ontem quando os profissionais avaliaram como ‘antidemocrática’ e ‘desrespeitosa’, os últimos três anos e meio de gestão do prefeito João Alves Filho (DEM). A administração da capital sergipana presencia uma das maiores crises no sistema de saúde pública, já que outras 12 categorias ligadas à saúde municipal também estão paralisadas e ofertando um efetivo máximo de 30% em todas as unidades de saúde.
Durante assembleia realizada no Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindimed), a classe trabalhadora voltou a criticar a forma como o prefeito e o respectivo secretariado vêm debatendo pleitos antigos – apresentados no último trimestre do ano passado, quando pediam reajuste salarial, pagamento dentro de cada mês vigente e respeito à data base da categoria. Nenhum dos anseios protocolados no Centro Administrativo Aloísio Campos forma atendidos. O prazo dado pela PMA como limite de resposta venceu no dia 31 de maio. Essa é a segunda vez em menos de um mês que os médicos decidem pela greve. No dia 16 do mês passado o Sindimed votou pela paralisação.
Já no dia 01 de junho – sob penalidade de 20 mil reais diários, o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE) decretou ilegalidade do movimento, mas os serviços foram reestabelecidos na quinta-feira, 09. Em contraponto, a Prefeitura de Aracaju, que articulou o pedido de suspensão da greve por intermédio da Procuradoria Geral do Município, se diz disposta a dialogar com a classe médica a fim de evitar maiores problemas ao cidadão que necessita do serviço. Por sua vez, a direção sindical lamenta as alegações feitas pelos assessores de João Alves, e reafirma interesse em continuar mobilizada em atos grevistas já que a PMA não respeita os próprios prazos. Enquanto os impasses não são corrigidos, milhares de aracajuanos sofrem nos postos de saúde.
O presidente sindical João Augusto Oliveira lamenta que apesar da pressão realizada, a atual administração apenas tenha recebido representantes da categoria no dia 05 de maio. O militante lamenta ainda que todos os servidores tenham sido contemplados com reajuste salarial, menos os atuantes no âmbito da saúde. "Estranhamente o prefeito concedeu o reajuste a todas as categorias, mas para a saúde não concedeu o reajuste. O prefeito fala que a prioridade é a saúde, mas nós não estamos sendo prioridade, pelo contrário, volto a dizer: estamos sendo ignorados", declarou. Conforme contabilidade apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em média quatro mil consultas deixam de ser realizadas a cada novo dia de greve geral.
Ocupação – Dezenas de trabalhadores da saúde ocuparam, também na manhã de ontem, parte do prédio da Secretaria Municipal da Fazenda (Semfaz). Liderados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, dentistas, agentes de combate a endemias e mais seis categorias decidiram adentrar ao órgão público como forma de enaltecer o desejo de serem contemplados com o reajuste salarial. De acordo com o presidente do Sintasa, Augusto Couto, a meta é permanecer realizando atos em conjunto a fim de conquistar êxito nas reivindicações. Os trabalhadores querem ainda o reajuste salarial de 12,5%, que corresponde a perda pela inflação durante o ano.
"Esta tem sido uma prática comum do prefeito e nós já estamos cansados de ser tratados com descaso pela prefeitura. A greve só foi aprovada por unanimidade porque João Alves, que dizia na campanha resolver os problemas da nossa saúde em 100 dias, até agora só fez retroceder. Não tem como o aracajuano ter uma boa saúde se o prefeito só faz dar as costas para os profissionais da área", analisou.


