Kátia Azevedo
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Pacientes de quatro planos de saúde de Sergipe ficaram sem atendimento ontem durante o Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde.
A mobilização, que acontece pelo terceiro ano consecutivo, envolveu entidades médicas de todo o país que paralisaram o atendimento para alertar aos gestores das operadoras de planos de saúde, ao poder público e à sociedade sobre os baixos honorários e a interferência das operadoras na relação ética dos profissionais com seus pacientes.
Em Sergipe, a data foi marcada por uma agenda de mobilização que incluiu uma entrevista coletiva à imprensa concedida pelas entidades médicas na Sociedade Médica de Sergipe (Somese) no inicio da manhã.
A Comissão Estadual de Honorários Médicos de Sergipe recomendou que médicos credenciados aos planos Unimed, Plamed, Geap e Hapvida suspendessem o atendimento mediante guias para procedimentos eletivos, incluindo consultas e cirurgias eletivas, com exceção do grupo Unidas, que vem negociando com os profissionais e já pratica valores acordados com a categoria. Também foram mantidos atendimentos de urgência e emergência.
Os médicos afirmam que a paralisação é um protesto contra os abusos praticados pelas operadoras dos planos e também por melhorias do serviço de saúde privada oferecido à população.
Segundo o secretário geral da Somese, as mensalidades dos planos de saúde tiveram reajuste de 176% nos últimos 12 anos. "Deste total, apenas 60% foram repassados para a classe médica. Em média, as operadoras pagam aos médicos cerca de R$ 30 por consulta, mesmo recebendo anualmente reajuste da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Neste último reajuste, as operadoras receberam 8% de aumento da ANS, sem repassarem para a remuneração dos profissionais pelo fato dos contratos não preverem este tipo de reajuste, o que acaba prejudicando a classe médica", explicou o médico Lúcio Prado Dias, secretário Geral da Somese.
Segundo entidades médicas envolvidas na mobilização, além dos planos de saúde pagarem menos por consulta, descumprem acordos firmados ou que não negociaram com os representantes da classe.
O presidente da Comissão Estadual de Honorários Médicos de Sergipe, o vereador e médico Emerson Ferreira (PT), disse que o movimento é um alerta sobre a insatisfação da categoria com os serviços prestados pelos planos de saúde. "Um problema que afeta diretamente 46 milhões de brasileiros usuários da rede suplementar", enfatiza.
O vereador acrescentou que existe uma normatização da ANS que obriga aos planos a marcarem consultas em um período que varia de 7 a 14 dias, conforme a especialidade, e que tem sido descumprida devido à evasão dos médicos credenciados, em função da baixa remuneração e da interferência abusiva na prática médica.
As entidades médicas de todo país convocaram as operadoras de planos de saúde para negociação e também pedem a ANS a fixação de parâmetros adequados de contratualização dos profissionais junto às empresas.
Em Sergipe, de acordo com a ANS, cerca de 300 mil pessoas são usuárias de planos de saúde. Deste total, 200 mil estão em Aracaju. Ainda de acordo com o órgão, a adesão a planos de saúde na capital sergipana cresce em torno de 3% todos os anos, representando um volume de seis mil novos contratos.


