Gabriel Damásio
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Adolescentes estariam sendo usados por traficantes para gerenciar pontos de venda de drogas em bairros problemáticos da periferia de Aracaju. Uma suspeita neste sentido surgiu ontem de manhã, depois que policiais militares lotados no Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp), apreenderam um adolescente de 17 anos que foi flagrado vendendo drogas na Invasão do Pantanal, bairro Inácio Barbosa (zona sul de Aracaju). A ação da PM aconteceu durante uma patrulha de rotina e rendeu a apreensão de cerca de 2,3 quilos de maconha, 54 gramas de cocaína, duas balanças de precisão e R$ 700 em dinheiro.
Segundo policiais, o rapaz está no mundo do crime desde os 13 anos e chegou a ser detido outras vezes por porte de drogas e outros pequenos crimes, sendo cinco vezes apenas pela equipe do major Vitor Anderson de Moraes, subcomandante do BPRp. "Já vimos outras vezes ele usando drogas, mas apreender em flagrante foi a primeira vez. Nós estávamos em ronda e flagramos o adolescente entregando a droga na mão de um rapaz. Eles nem viram quando a gente chegou e quando o menor me viu, se assustou e teve que me entregar o pacote", conta o oficial. Era um tablete com cerca de 900 gramas de maconha prensada.
Ainda de acordo com Vitor, o adolescente ainda tinha outras drogas e objetos escondidos dentro de casa e em dois terrenos próximos. "Em um dos terrenos, nós achamos uma das balanças e três trouxas de cocaína. Dentro da casa, encontramos o dinheiro, a outra balança e quatro armas brancas. E no outro terreno, na frente da casa do menor encontramos mais um quilo de maconha que estava enterrada, embaixo de uma pedra", disse o major. O material e o adolescente foram encaminhados à Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), onde o caso foi registrado como tráfico de drogas.
A polícia ainda busca saber quem seria o responsável por repassar as drogas ao menor apreendido, mas a suspeita é de que ele seja um adulto ligado aos traficantes que comandam a venda de drogas na invasão, considerada uma das mais problemáticas da Grande Aracaju quanto à atuação do tráfico. O subcomandante disse acreditar que a presença do adolescente como responsável pela venda de drogas em uma boca-de-fumo pode ser uma estratégia dos traficantes para minimizar os "prejuízos" causados pelas prisões e apreensões realizadas pela polícia. Para o major, a tática se baseia na legislação que não pune os adolescentes envolvidos em crimes.
"É uma praxe os traficantes usarem os adolescentes para revender a droga. Para o ‘chefe’, fica muito mais barato pagar um advogado pra soltar um menor que vai apreendido e é praticamente liberado no mesmo dia, do que pagar esse advogado pra acompanhar o traficante adulto por vários dias em audiências, presídios e outros trâmites. A polícia cumpre o seu papel de prender e conduzir, o delegado e o advogado fazem os seus papéis, mas o problema é a legislação", opina Anderson, ao explicar porque o adolescente apreendido ontem será solto rapidamente. "Pra mim não será surpresa se eu encontrar ele na rua amanhã vendendo droga de novo", arremata.


