Gabriel Damásio
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Foi libertado no final da tarde de ontem o adolescente de 16 anos que agrediu e feriu, em 2 de julho deste ano, a professora Carla Valéria de Oliveira, então diretora da Escola Estadual Senador Lourival Fontes, no Santo Antônio (zona norte de Aracaju). Ele deixou a Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), no Capucho (zona oeste), depois que o processo sobre o caso foi julgado pelo Juizado da Infância e Juventude de Aracaju. O advogado do menor, Minervino Hora Neto, argumentou que a liberdade dele foi decidida pela Justiça porque o caso não foi enquadrado como tentativa de homicídio, conforme a denúncia apresentada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
Ainda segundo ele, um habeas-corpus chegou a ser pedido para que ele fosse liberado, pois o rapaz ficou apreendido três dias acima do prazo máximo de internação provisória, o qual, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é de 45 dias. "O prazo foi expirado na sexta-feira, só que o processo estava concluso para a juíza prolatar a sentença, o que aconteceu hoje. A sentença foi pela desinternação do menor. Ele foi solto pelas provas nos autos de que não houve tentativa de homicídio. Pelos laudos técnicos e do exame de corpo delito, as provas não foram tão contundentes como do jeito que foi passado pela vítima", disse Minervino.
O processo correu em segredo de justiça e o advogado não esclareceu que tipo de punição foi – ou não – aplicada ao adolescente, mas garantiu que seu cliente deve "retomar sua vida normal" nos próximos dias e pretende voltar em uma escola que ainda será decidida pela família. "O menor está na residência dele e vai prosseguir com a vida dele, regrada e pautada em bons costumes, como era anteriormente. Este foi um caso isolado que aconteceu na vida dele. O menor está muito arrependido, assim como a família dele. Em nome deles, peço desculpas à vítima e à sociedade. De certa forma, ele não agiu da maneira correta, mas não foi da maneira que foi exposto. Jamais o adolescente quis matar a professora", disse Hora, afirmando que procurou várias vezes a professora Carla Valéria para pedir desculpas.
Revolta – A notícia da libertação do adolescente e os argumentos do advogado foram recebidos com decepção e revolta pela professora Carla Valéria, que ainda tem cicatrizes pelo corpo e seqüelas psicológicas causadas pelo ataque, tendo ainda que fazer tratamento com remédios. A educadora, além de levar socos e chutes pelo corpo, teve a testa e a nuca cortadas com uma caneta esferográfica que foi quebrada em sua cabeça, durante as agressões feitas pelo aluno. Isto aconteceu depois que ele foi comunicado pela então diretora de sua expulsão do Lourival Fontes, por causa do envolvimento dele com a explosão de uma bomba no banheiro do colégio.
À noite, em entrevista à TV Atalaia, a ex-diretora criticou duramente o advogado Minervino Hora. "Ele precisa vir aqui e estudar anatomia, porque o aluno abriu a minha cabeça. Eu peguei vários pontos e tenho ainda aqui várias cicatrizes pelo corpo. Isso aqui uma brincadeira?", ironizou, rebatendo ainda a tese do advogado de que ela teria constrangido o adolescente ao comunicar sua expulsão em público. "Eu entendo que o doutor Minervino está sendo pago para soltar seu cliente, mas não aceito que a minha vida profissional seja denegrida. Esse advogado tem que provar o que diz. Nunca constrangi aluno nenhum e meu tom de voz sequer foi alto com qualquer aluno. Eu também estudei e, para ser gestora, eu fiz uma prova", desabafou.

